No dia em que se inicia oficialmente o período de campanha eleitoral, aproveito este espaço para fazer um apelo à participação de todos: quer nas eleições legislativas de 4 de Outubro, quer nos momentos de mobilização colectiva que procuram influenciar as decisões políticas, como aquele gerado em torno do apoio aos refugiados. Portugal e a Europa vivem momentos que exigem isso mesmo: participação. Ao longo dos últimos 4 anos fomos governados sob a batuta de um memorando e de uma troika apontados como causa e consequência de escolhas políticas que não raras vezes esbarraram ou na vontade popular, ou no Tribunal Constitucional. Depois de 4 anos em que alterações importantes registadas nos salários e nos impostos pagos pelos portugueses, na Educação, na Ciência, na Saúde, nas prestações sociais e na dimensão empresarial do Estado, foram apresentadas como consequência de más governações anteriores e tendo a troika como causa, as próximas eleições assinalarão, independentemente do seu resultado, o início de um tempo novo em que as decisões tomadas não mais serão, ou poderão ser apresentadas como, o reflexo da política de outros: serão, isso sim, o reflexo de escolhas, de ideologias, de formas diferentes de olhar para o país que temos e para o país que queremos. E ainda que os períodos eleitorais nem sempre sirvam ao esclarecimento exigido, esta é a hora dos portugueses escolherem que rumo querem dar ao país de amanhã. E se em Portugal é exigido que escolhamos em consciência, na Europa exige-se que os líderes políticos sejam capazes de encontrar respostas à maior crise de refugiados desde a II Guerra Mundial. São as escolhas que fazemos em momentos como este que nos definem: o interesse individual nacional, ou o coletivo da união e do mundo que nos é vizinho; ficar a assistir, ou participar ativamente na resolução de um problema que vai muito além da discussão sobre a origem e as intenções de quem arrisca a vida dos filhos para atravessar fronteiras. Em hora de decisões difíceis, eu voto em participar. Vamos a isso!
João Pedro Vieira