Precisamos reagir e sermos nós os condutores do nosso destino Democracia participativa significa a possibilidade de intervenção directa dos cidadãos nos procedimentos de tomada de decisão e de controle do exercício do Poder, in Dicionário de Termos Europeus por José Luis Moreira da Silva. Ao Governo cabe-lhe assumir a responsabilidade da gestão e condução da sociedade que dirige para aquilo que considera melhor. Mas os cidadãos podem ter um papel interventivo na tomada de decisões para que as mesmas dêem respostas aos problemas do meio onde vivem. O papel do Governo nunca poderá ser assumido pelos cidadãos porque se assim fosse, para quê serviria o Governo? Se o Governo faz o seu papel bem, todo o processo é pacífico e todos contribuem para o melhor da comunidade. Mas se não é assim tão eficaz, a democracia participativa permite aos cidadãos intervir e lutar por aquilo que precisa ser feito. E não precisam esperar pelas eleições para se manifestarem sobre o que consideram estar mal. É esta a grande vitória de vivermos em democracia participativa – para além do dia das eleições, os cidadãos têm ainda capacidade interventiva durante todo o tempo da governação. Mais do que lamentar a vida, precisamos reagir e sermos nós os condutores do nosso destino. Mais do que criticar, é preciso apresentar ideias e soluções. No meu artigo de opinião de agosto passado, alertei para a necessidade de se arranjar uma solução para o antigo Largo do Pelourinho que por ocasião das obras de regularização da foz da Ribeira de São João e Ribeira de João Gomes mostraram esconder as ruínas do Forte de São Filipe. Afirmei que “Este achado deveria ser visto como uma oportunidade e não como um entrave. A cultura é também uma fonte de riqueza das cidades, mas para sê-lo tem de ser apresentado como um produto credível e não como se encontra atualmente.” E demonstrei que nas palavras quer o Governo Regional, quer a Câmara Municipal do Funchal estavam de acordo para trabalhar em conjunto pela nossa cidade, o que, efectivamente, são boas notícias. Disse-o que considerava este achado uma oportunidade e efetivamente é assim que vejo. Porque não construir naquele espaço, um museu-monumento às vítimas de 20 de Fevereiro entre a foz das 2 ribeiras? Nele se poderia montar uma estrutura digna de ser mais um pólo de atração turístico do Funchal. Com uma localização fantástica na Avenida do Mar, poder-se-ia: 1) manter as ruínas no rés-do-chão de acordo com as orientações dos especialistas para a sua preservação, com investigação histórica do papel do Forte de São Filipe na defesa da nossa cidade; 2) montar o pelourinho que antes existia no local e através de investigação histórica apresentar a história sobre a pena de morte na Madeira e a sua abolição, enaltecendo o facto de que termos sido o primeiro país a abolir a pena de morte no mundo e que quando foi abolida já não se praticava a pena de morte em Portugal há muitos anos; 3) montar um espaço de homenagem a todas as vítimas de 20 de Fevereiro com reportagem fotográfica do que aconteceu, explicação do fenómeno climatérico ocorrido e agradecimento a todas as entidades que auxiliaram a Madeira naquele momento. Creio que ainda nos falta fazer esta homenagem. E creio que esta ideia é financeiramente rentável, se cobrarmos um valor mínimo de entrada. Acresce a tudo isto o facto de existir no antigo Largo do Pelourinho, no edifício “Oliveiras” uma capela lindíssima e que a antiga cadeia localizava-se na Rua Direita. É só passear por aquele quarteirão para vermos o potencial de turismo cultural que existe. Fátima Ascensão

Precisamos reagir e sermos nós os condutores do nosso destino

Democracia participativa significa a possibilidade de intervenção directa dos cidadãos nos procedimentos de tomada de decisão e de controle do exercício do Poder, in Dicionário de Termos Europeus por José Luis Moreira da Silva. Ao Governo cabe-lhe assumir a responsabilidade da gestão e condução da sociedade que dirige para aquilo que considera melhor. Mas os cidadãos podem ter um papel interventivo na tomada de decisões para que as mesmas dêem respostas aos problemas do meio onde vivem. O papel do Governo nunca poderá ser assumido pelos cidadãos porque se assim fosse, para quê serviria o Governo? Se o Governo faz o seu papel bem, todo o processo é pacífico e todos contribuem para o melhor da comunidade. Mas se não é assim tão eficaz, a democracia participativa permite aos cidadãos intervir e lutar por aquilo que precisa ser feito. E não precisam esperar pelas eleições para se manifestarem sobre o que consideram estar mal. É esta a grande vitória de vivermos em democracia participativa – para além do dia das eleições, os cidadãos têm ainda capacidade interventiva durante todo o tempo da governação. Mais do que lamentar a vida, precisamos reagir e sermos nós os condutores do nosso destino. Mais do que criticar, é preciso apresentar ideias e soluções. No meu artigo de opinião de agosto passado, alertei para a necessidade de se arranjar uma solução para o antigo Largo do Pelourinho que por ocasião das obras de regularização da foz da Ribeira de São João e Ribeira de João Gomes mostraram esconder as ruínas do Forte de São Filipe. Afirmei que “Este achado deveria ser visto como uma oportunidade e não como um entrave. A cultura é também uma fonte de riqueza das cidades, mas para sê-lo tem de ser apresentado como um produto credível e não como se encontra atualmente.” E demonstrei que nas palavras quer o Governo Regional, quer a Câmara Municipal do Funchal estavam de acordo para trabalhar em conjunto pela nossa cidade, o que, efectivamente, são boas notícias. Disse-o que considerava este achado uma oportunidade e efetivamente é assim que vejo. Porque não construir naquele espaço, um museu-monumento às vítimas de 20 de Fevereiro entre a foz das 2 ribeiras? Nele se poderia montar uma estrutura digna de ser mais um pólo de atração turístico do Funchal. Com uma localização fantástica na Avenida do Mar, poder-se-ia: 1) manter as ruínas no rés-do-chão de acordo com as orientações dos especialistas para a sua preservação, com investigação histórica do papel do Forte de São Filipe na defesa da nossa cidade; 2) montar o pelourinho que antes existia no local e através de investigação histórica apresentar a história sobre a pena de morte na Madeira e a sua abolição, enaltecendo o facto de que termos sido o primeiro país a abolir a pena de morte no mundo e que quando foi abolida já não se praticava a pena de morte em Portugal há muitos anos; 3) montar um espaço de homenagem a todas as vítimas de 20 de Fevereiro com reportagem fotográfica do que aconteceu, explicação do fenómeno climatérico ocorrido e agradecimento a todas as entidades que auxiliaram a Madeira naquele momento. Creio que ainda nos falta fazer esta homenagem. E creio que esta ideia é financeiramente rentável, se cobrarmos um valor mínimo de entrada. Acresce a tudo isto o facto de existir no antigo Largo do Pelourinho, no edifício “Oliveiras” uma capela lindíssima e que a antiga cadeia localizava-se na Rua Direita. É só passear por aquele quarteirão para vermos o potencial de turismo cultural que existe.

Fátima Ascensão