
A manifestação de protesto contra a vinda de refugiados para a Madeira, convocada durante mais de duas semanas nas redes sociais, não chegou a ser um fracasso. Foi um desastre total porque não existiu. Nem a organização apareceu na Praça do Município, na manhã de sábado. Só lá estavam polícias, destacados para conter a multidão que se esperava, tendo em conta as movimentações na Internet. Parece que há outra convocada para hoje.
Quero acreditar que foi a vergonha pela defesa de posição tão egoísta que deixou em casa todos os que tinham ‘confirmado’ da presença no Facebook. Mas tenho dúvidas.
O que este fiasco demonstra é outra coisa: cada vez há mais indignados de sofá, heróis das redes sociais e dos comentários on-line, quase sempre anónimos ou com pseudónimos que vão de ‘Che Guevara’ ao ‘estado islâmico’, que insultam todos, prometem as mais audaciosas acções, mas que acabam por protestar num mundo virtual e inconsequente. Corajosos atrás de um teclado, mas com dificuldade imensa para sair da cadeira.
Se a Praça do Município fosse virtual, qual cenário de um jogo de vídeo, certamente teria centenas de participantes, com cartazes bandeiras, gás lacrimogéneo e prontos para uma intifada em que cada pedrada no polícia valeria 100 pontos.
Por este e muitos outros exemplos de mobilização virtual sem efeito real, acredito cada vez menos nas teorias de que as redes sociais são barómetros de opinião. Uma prova desse afastamento da realidade é a constatação de que o PAN é o partido com mais ‘likes’ no facebook.