A. G. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Funchal, Venho por este meio manifestar o meu profundo desagrado perante as alterações recentes que venho observando ao nível dos estacionamentos disponíveis para viaturas, à superfície, no centro da cidade do Funchal. Falo dos estacionamentos (pagos) em frente à Loja do Cidadão, mas também dos anteriormente existentes na Rua Marquês da Fronteira, (em frente ao Tribunal) e que agora vejo transformados em estacionamentos (gratuitos) para velocípedes/ veículos com duas rodas. E Deus saberá quantos mais virão. Eu, que não conduzo motas, nem pretendo aderir a essa moda, sinto-me extremamente discriminada e penalizada por esta sua medida de “promoção de mobilidade”. Eu, que não conduzo motas, nem o posso fazer já que tenho duas cadeiras de bebé no carro… Se já antes pagava, a peso de ouro, por um estacionamento (de curta duração) naquela zona, confesso que me dava muito jeito, já que “poupava tempo” com deslocações e com toda a logística que quem tem bebés bem conhece (tirar o bebé da cadeirinha do carro/colocar o bebé no carrinho, etc)… Quem tem crianças mas também quem tem idosos ou pessoas com a sua mobilidade de algum modo condicionada. Poder utilizar qualquer um dos estacionamentos de superfície referidos, no centro do Funchal, tornava mais acessível e facilitava as deslocações aos médicos e a todos os outros serviços existentes próximos daqueles locais, ou para um simples passeio na baixa do Funchal. Nem sempre havia disponibilidade de um lugar, poderá argumentar. Mas atendendo à grande rotatividade que existia naqueles estacionamentos, muitas vezes bastava dar mais uma volta para conseguir um lugar para estacionar. Talvez vá repetir o que me disse a funcionária do Departamento de Trânsito que ouviu a minha reclamação “mas há estacionamentos cobertos a 2 minutos da Loja do Cidadão“. Desafio-o a comprovar esses “dois minutos”…Meta-se num carro, com duas crianças sentadas nas respetivas cadeirinhas e verá que afinal esses 2 minutos facilmente se transformarão em 20 ou 30, até chegar à Loja do Cidadão…e repita o procedimento em sentido inverso, de volta ao estacionamento… Ou então, experimente fazê-lo acompanhado de um idoso/a que se desloca, com dificuldade, apoiado numa bengala. Além do sofrimento (desumano) a que o submete verá que lá se vai uma hora ou mais nesse “percursozinho de apenas 2 minutos.” Pois é Senhor Presidente. A vida não é tão fácil para quem não tem mota e que agora vê substancialmente reduzidas as alternativas de estacionamento. Nem toda a gente tem crianças, para transportar, ou idosos, é verdade. Mas graças a si e ao seu Departamento de Trânsito da CMF conseguiram dificultar e penalizar todas as pessoas que, por “limitações” familiares ou simplesmente por opção, não aderiram a essa “moda” das duas rodas. Discordo, pois, desta medida que em meu entender vem forçar o afastamento de todos os que precisam de se deslocar, pelos mais diversos motivos, ao centro do Funchal. E já que me fez perder tempo, ao escrever esta carta, também discordo das “pinturas” que fizeram na estrada na Rua 5 de Outubro, junto aos semáforos ao lado do Tribunal. Além de retardar a passagem de carros sempre que o sinal fica verde (logo dificultando o escoamento do trânsito naquela artéria), em vez das 3 faixas de rodagem, agora passamos a ter apenas duas (uma para quem desce e outra para quem quer virar à direita, na Rua Marquês da Fronteira). Fazer pior era difícil, para promover o “entupimento” de veículos naquele entroncamento, essencialmente nas horas de ponta Tudo em prol da mobilidade…não sei bem de quem! Que fique claro que não tenho motivações políticas nem preconceitos relativamente aos veículos de duas rodas. A minha motivação é estritamente pessoal e reclamo por sentir-me pessoalmente afetada no meu dia-a-dia, na cidade onde vivo e trabalho.