Aproxima-se o início do novo ano letivo e, quase ao mesmo ritmo, voltam os julgamentos públicos sobre a escola e as acusações do que fez, do que se atreve a fazer e, inclusive, do que ainda nem fez. Isto é, falam sem conhecer as realidades. A pressão é enorme, as contradições sobre o que se diz querer da escola e, depois, o que se exige dela são assustadoras, enfim, a sociedade alarma-se de mais e pensa pouco sobre o essencial da educação. Mas a escola resiste, como diria Galileu: “E pur si muove”.

Sem desvalorizar a necessidade de refletirmos acerca das diversas problemáticas da escola, hoje, decidi abordar apenas alguns dos seus aspetos positivos.

Salvo raras exceções, os alunos gostam da escola, aliás, é na escola que passam a maior parte do seu tempo, é ali que, além de aprenderem a ler, a escrever, a contar e a se tornarem cidadãos informados e conscientes, vivem os melhores momentos da sua vida. É nas aulas que os alunos formam as principais bases, tanto para a realização das suas aspirações, como para a criação de outras ambições pessoais e profissionais, concretizando também os sonhos dos seus familiares.

É na escola, com a insubstituível ajuda dos professores, que os alunos começam a conhecer e a compreender a complexidade do mundo, adquirem novos conhecimentos, amadurecem o pensamento, desenvolvem capacidades imprescindíveis para o seu futuro de sucesso. Ainda há dias, entraram milhares de alunos no ensino superior, já perguntaram onde é que eles se formaram, aprenderam as diversas competências pessoais, sociais e culturais e ganharam o gosto pelo saber?

Pois é, foi na escola. E os profissionais que encontramos, todos os dias, na rua, no seu local de trabalho, numa sala de operações, na comunicação social, nos centros de investigação, na governação do nosso país, nos diversos cargos nacionais e internacionais, numa orquestra, num palco? Onde cresceram e evoluíram como pessoas? Pois é, foi na escola. Onde é que muitos alunos encontram uma palavra de carinho, uma atenção especial, uma verdadeira inclusão, uma refeição completa, uma proteção e situações de alegria? Pois é, na escola. Há muito por fazer e por mudar na escola, sem dúvida, mas existe imensa qualidade e sentido de responsabilidade no que se faz.

Rui Caetano