Há um tema que tem estado ausente desta campanha eleitoral apesar de paradoxalmente, ser de grande relevância para o futuro da Região. Um tema no qual os deputados eleitos por este círculo podem fazer a diferença junto dos órgãos de poder nacionais. Falo da economia azul, ou economia do mar, área na qual a Região tem inúmeras potencialidades e na qual pode desempenhar papel central na estratégia a adoptar por Lisboa. A economia azul não se encerra – longe disso - no Registo Internacional de Navios da Madeira (MAR), embora este seja um dos seus eixos fundamentais. É um todo que envolve inúmeras áreas de atividade. Não sou um expert no todo, mas vou fazendo por conhecer uma das partes, o MAR. Neste texto, cingir-me-ei a ele. Seria interessante que os técnicos e especialistas em economia azul o complementassem. Em 2014, o MAR tornou-se o quarto maior registo da União Europeia. Pode agora chegar ao pódio. Foi aquele que conseguiu a maior evolução, quer no que concerte à tonelagem de arqueação bruta dos navios registados (TAB), quer no que respeita à idade média dos navios registados – indicador comummente utilizado em termos internacionais para medir a dinâmica de um registo. Falando da tonelagem, o MAR triplicou o seu valor nos últimos dois anos, tendo o total de navios registados sofrido um impressionante aumento de 70%. Reportando-nos à idade média, desceu de 13,1 para 11,9 anos. A credibilidade do MAR é também aferida pelo facto do crescimento ser fruto do aumento do número de armadores alemães e noruegueses que escolhem navegar com bandeira portuguesa. Conhecendo a forma de trabalhar das empresas oriundas desses países, na qual o rigor e a exigência ocupam papéis centrais, entendemos facilmente que não escolhem o MAR pelas bonitas paisagens destas ilhas. O mérito principal vai, obviamente, para a Sociedade de Desenvolvimento da Madeira (SDM), pela persistência, pelo empenho e pela forma como, durante anos, manteve vivo o MAR, contra ventos, marés e todas as tempestades. A recente parceria comercial com a Euromar, empresa portuguesa de capitais alemães, especializada em shipping, tem ajudado a alavancar o crescimento. Mas, se tudo são rosas, para quê falar do assunto, pergunta o leitor. É fácil. Porque nem tudo são efetivamente rosas e há muito trabalho a fazer na República, para garantir um futuro ainda mais pujante para o MAR. O Registo gera emprego, direto e indireto, muito dele em áreas fortemente especializadas; permite arrecadar verbas muito interessantes, provenientes dos impostos pagos pelos armadores na Região; é uma forma de promoção global do destino turístico (quanto vale a inscrição “Madeira” no casco de cada navio registado?); permite ao país ter um papel mais relevante em organizações internacionais de grande importância. Tudo isto sem investimentos públicos de monta. Resumidamente, merece a atenção dos deputados que irão ser eleitos a quatro de Outubro. Na legislatura que vai terminar, foram feitos progressos. Seria injusto não destacar o empenho de alguns parlamentares, como Rui Barreto e José Manuel Rodrigues, do CDS, e Guilherme Silva, do PSD, junto do Governo da República. Mas como não falamos de passado mas sim de futuro, seria importante que os futuros eleitos, de todos os quadrantes partidários, se comprometessem com o MAR. Se existem assuntos que ultrapassam as lutas político-partidárias este é um deles. Estamos no tempo certo para o estabelecimento desse compromisso.

Gonçalo Santos