A recente criação, por parte do Governo Regional, de um novo subsídio de mobilidade nas viagens dos residentes da Madeira ao Porto Santo, cujos exatos termos estão ainda por conhecer, representará um importante contributo para esbater a sazonalidade que desde sempre afetou esta ilha nos meses de Inverno. Deste modo, devendo aplicar-se apenas no período de Outubro a Junho, englobando os transportes marítimos e aéreos, este apoio será um estímulo à preferência do Porto Santo fora dos meses de Verão, com efeitos multiplicadores nas empresas de transporte marítimo e aéreo, bem como, e mais importante, na economia local, desde táxis, hotéis, restaurantes, comércio, entre outros, para os quais o mercado interno acaba por ter grande importância. A par deste incentivo, assiste-se também ao regresso das ligações diretas da TAP entre Lisboa e o Porto Santo, após um período de 3 anos de ausência no Inverno IATA e novamente em regime triangular com o Funchal, numa rotação Lisboa-Porto Santo-Funchal-Lisboa, uma vez por semana, aos sábados à tarde. Será uma operação importante para os turistas que pretendam ali chegar, mas, sobretudo, para a população do Porto Santo. Porém, enquanto se mantiver nos atuais moldes a operação da AeroVip (cujo contrato de concessão está em vigor até 2017), sem qualquer acordo de interline com a TAP, torna-se bastante mais complicado captar turistas fora do período de Verão, quando a ilha se encontra bem servida de voos charters e regulares, quer do continente português, quer de outras origens na Europa. Efetivamente, nem todos os que possam querer visitar o Porto Santo, irão sujeitar-se a ficar uma semana na ilha à espera do dia do voo direto da TAP para Lisboa e, não o querendo fazer, ver-se-ão obrigados a comprar, à parte, um bilhete na AeroVip, para então depois apanhar no Funchal a ligação a Lisboa. A inexistência do interline obriga à compra de bilhetes separados, que, para além do sobre-custo, não garantem qualquer proteção em caso de irregularidade, obrigando ainda à recolha de bagagem no Funchal para ser efetuado novo check-in. E todos estes inconvenientes aplicam-se também à população do Porto Santo, que se vê privada da compra da tão propalada tarifa corrida. Enquanto se mantiver esta situação, agravada pela operação de um avião com capacidade de transporte muito reduzida, todos os esforços de apoio à mobilidade dos porto-santenses e de promoção da procura externa pelo Porto Santo na época baixa terão sucesso limitado.

Nuno Jesus