Decorria o ano de 1973, quando foi inaugurado o então designado Hospital Distrital do Funchal, posteriormente denominado de Hospital da Cruz de Carvalho. Com o reconhecimento da autonomia da Madeira em abril de 1976, consuma-se no ano seguinte a transferência de poderes do Ministério dos Assuntos Sociais para a Secretaria Regional dos Assuntos Sociais, criando-se neste mesmo ano o centro hospitalar do Funchal que englobava o Hospital da Cruz de Carvalho, o Hospital dos Marmeleiros, o Hospital Doutor João de Almada e o preventório de Santa Isabel, consequentemente no ano seguinte, em 1978 assiste-se à criação do centro Regional de Saúde Publica. Atendendo, a características nomeadamente orográficas, a separação dos edifícios hospitalares nunca foi consensual e sempre colocou constrangimentos de vária ordem quer para utentes, quer para os profissionais de saúde. Pouco mais de uma década acentuava-se a necessidade de repensar as estruturas hospitalares existentes, assim surge no inicio dos anos noventa a constituição de uma comissão técnica cujo objetivo era elaborar um projeto de plano diretor para o centro hospitalar do Funchal. É importante recordar que as conclusões apresentadas pela comissão técnica constituída para o efeito, na altura apontavam essencialmente para três cenários, qualquer um deles atualmente desadequado. A construção de uma nova unidade hospitalar deveria entre outros aspetos incorporar um modelo holístico nas varias componentes estruturais e na prestação de cuidados com uma visão multidisciplinar de modo a acompanhar a evolução cientifica e tecnológica no setor da saúde. Os cenários apontados eram três: construção de um novo hospital de raiz, nos terrenos da Quinta de Santana (Hospital Dr João de Almada), concentração na área da cruz de carvalho de todas as estruturas necessárias através da remodelação do hospital Cruz de Carvalho e da sua ampliação para a área ocupada atualmente pela Escola Dr Horácio Bento de Gouveia, Ampliação do Hospital da Cruz de Carvalho com a construção de todas as estruturas dentro do perímetro atual, situação que implica um elevado e muito denso índice de construção, na altura o grupo de trabalho apontava o segundo cenário como a mais desejado para a região. Sem planeamento e visão estratégica ao longo dos anos, as sucessivas obras não salvaguardaram as condições ambientais de segurança e de trabalho, dentro e fora do perímetro do atual terreno da cruz de carvalho para construir uma moderna, eficiente e integrada unidade hospitalar para a Madeira. O referido espaço atualmente deixou de ser periférico, não proporciona condições ambientais adequadas, está rodeado de densa zona residencial, persistem dificuldades de estacionamento e acesso rodoviário sem possibilidade de expansão futura de novos serviços. Em 2004 o governo regional reconhecia que uma nova unidade hospitalar para a Madeira era necessário devido á desadequação progressiva e acentuada que nos últimos anos se verificava nas unidades hospitalares existentes, dificultando a prestação de cuidados aos utentes em condições tecnicamente adequadas. Na actual arquitetura do Serviço Regional de Saúde não restam duvidas da necessidade urgente de construir um novo hospital mantendo a rede de centros de saúde em toda a região, como estruturas prestadoras de cuidados de proximidade ao longo do ciclo vital com equipas de intervenção na comunidade delimitadas por uma determinada área geográfica. O momento pré eleitoral em que nos encontramos deverá proporcionar uma saudável e enriquecedora oportunidade de discussão em torno de uma matéria muito importante para o futuro da região. A construção de um novo hospital só por si não resolve os vários problemas do serviço regional de saúde mas a região não pode esperar indefinidamente por uma solução desta envergadura. Os madeirenses têm assim mais uma oportunidade de se manifestar e aprofundar este assunto de forma a reforçar o consenso regional nesta matéria.

Juan Carvalho