Inicia-se hoje o primeiro “Encontro Internacional da Economia Criativa Lusofona - Madeira 2015”, promovido pela MULTILINGUAL SCHOOLS Foundation. Um encontro descentralizado, ao escolhermos a Região Autónoma, em vez da capital do país para a sua realização, e na Madeira também descentralizado, ao repartirmos entre a Calheta e o Funchal os quatro dias do Encontro ECL. Reunir na Madeira mais de 100 agentes culturais, empresários, jornalistas e decisores políticos da Lusofonia, mobilizando milhares de cidadãos madeirenses, também agentes culturais, empresários, jornalistas, decisores políticos e publico em geral, para participar e vivenciar uma nova experiência de interculturalismo, partilhado através de uma língua comum, foi o modelo encontrado para reflectirmos todos sobre o potencial de uma almejada “Economia Criativa Lusofona”. A Madeira, sempre foi encarada pelos decisores regionais, nacionais e europeus apenas como uma das Regiões Ultra-periféricas da União Europeia, que de facto também é, mas nunca foi encarada, num plano mais vasto e visionário, como uma das Regiões mais centrais do chamado Eixo Atlantico, que liga a Europa a África e as Américas. A lusofonia e a CPLP são um enorme mercado de mais de 250 milhões de cidadãos que se estendem por quatro continentes, centrando-se mais de 90% no Eixo Atlantico: entre Angola, Brasil, Cabo Verde, Guine-Bissau, Guine-Equatorial, Portugal e São Tomé e Príncipe; tendo ainda em África Mocambique ali ao lado e Timor-Leste lá longe no Oriente; ao que se adicionará ainda, enquanto mercado lusófono, a nossa diáspora, também significativamente centrada no Eixo Atlantico. A Madeira é um arquipélago que representa tudo o que a indústria criativa ousa ser, um arquipélago com um povo que, na sua secular história, rasgou montanhas e atravessou vales, com a essência da criatividade e da economia criativa no seu mais puro estado, traduzida em centenas de milhares de metros de percursos de levadas que aos olhos dos mais cépticos seriam impossíveis de fazer nos dias de hoje. Um povo que também recortou as escarpas das montanhas para as transformar em socalcos com terras cultiváveis e produtivas. Um povo que partiu da ilha para os quatro cantos do mundo fazendo ainda hoje história com os seus feitos, nas artes, no desporto, na economia. É este trabalho de mestria e de luta, o saber dizer não às contrariedades, que nos motiva e nos faz quer mais e querer chegar mais alem. Este simbolismo na criatividade está patente na terra, mas também nos vimes, na arte da vinha e da vindima, e até na propagação da fé, com a nossa diocese a ser pioneira na instalação do primeiro bispado em África, mais concretamente em Cabo Verde. Nós madeirenses somos a herança do estado puro da criatividade e chegou a altura de assumirmos esse papel na história, de provocarmos o grande desafio do Século XXI, de provocarmos a 4ª revolução: A REVOLUÇÃO CRIATIVA!
Sílvio Santos Presidente da Multilingual