A história do balde de caranguejos é utilizada muitas vezes como metáfora para descrever o comportamento humano. Esta expressão não é apenas metafórica e baseia-se no comportamento real dos caranguejos. Cheguei a presenciar este fenómeno, numa praia, durante a minha infância. Explicaram-me que quando colocam vários caranguejos dentro do mesmo balde, não é necessário colocar uma tampa, pois se algum dos caranguejos tenta sair, os restantes vão puxá-lo para baixo. Na altura, não conseguia compreender o comportamento aparentemente ilógico destas criaturas. Com o decorrer dos anos, verifiquei que em certos casos, os humanos não são muito diferentes dos caranguejos. Mas não se trata de um mal restrito ao comportamento insular ou contemporâneo! O Imperador romano Marco Aurélio (121-180 d.C.), numa das suas Meditações, recomendava que ao amanhecer, disséssemos para nós mesmos: “Sei que vou encontrar um indiscreto, um ingrato, um rude, um velhaco, um invejoso, um intolerante. Mas essas pessoas são assim devido à sua ignorância do bem e do mal. Porém, eu, compreendendo a natureza do bem, que é desejável, e do mal, que é odioso (…) não me devo zangar com o próximo, nem evitá-lo, já que nascemos para colaborar na mesma obra, como os pés, as mãos, as pálpebras, os dentes superiores e inferiores. É contra a natureza a hostilidade recíproca.” Passados 19 séculos, aqui estamos para continuar a dar sentido a esta Meditação!

Roberto Macedo Alves