Impressiona a facilidade com que alguns decisores ignoram compromissos, o que escreveram, o que disseram ou até o que leram. Tanto assim é que os regos de hoje são tirados nalguns desses poios de memória curta. . O que está escrito na Constituição Portuguesa sobre uma República baseada na dignidade da pessoa humana e empenhada na construção de uma sociedade justa e solidária merece ser recapitulado, pois tem sido ignorado por alguns terroristas políticos locais. É admissível ter partidos candidatos às eleições que atentam contra os direitos humanos, entre os quais o de asilo, contra os tratados internacionais e contra o bom senso?
. Se o DIÁRIO não perguntasse continuaríamos sem saber o que pensam aqueles que são expeditos na crítica generalista, mas que sobre os refugiados ficariam calados para não perderem votos. A hipocrisia é tanta que, mesmo falando, não foram arrojados com medo de ferir susceptibilidades. Veremos se a prudência eleitoralista não custa caro. . É chocante perceber que a sobranceria ainda habita na política regional, a mesma que nos trouxe ao caos. O que não faltam são frases impensáveis, a usar em cartazes como forma de denunciar o autismo de quem tanto defende o diálogo ou o oportunismo de quem tanto apregoa responsabilidade. Haja coragem de arriscar dar à costa.
. Para garantirem tempo de antena, algumas das 15 candidaturas às Legislativas na Região andam a fazer campanha à boleia de instituições que gentilmente vão concedendo reuniões de circunstância. "E o povo pah"? Que tal falar-lhe com sinceridade sobre as implicações severas dos próximos 4 anos? A omissão não é caminho. No domingo passado foi à Ribeira da Janela que, todos os anos por esta altura, sempre que há eleições, tem políticos à porta da igreja, prontos a dar a segunda missa do dia. Anteontem, não apareceu um que fosse.
. Quase todas as candidaturas querem um novo hospital na Madeira, mesmo que muitas não saibam como. A ocasião faz opinião, mas será preciso lembrar o posicionamento de todos os partidos sobre esta matéria nos últimos 5 anos para percebermos como alguns mudam como o vento?
. Para quem não sabe, o princípio da continuidade territorial “assenta na necessidade de corrigir as desigualdades estruturais, originadas pelo afastamento e pela insularidade, e visa a plena consagração dos direitos de cidadania da população madeirense, vinculando, designadamente, o Estado ao seu cumprimento, de acordo com as suas obrigações constitucionais”. Logo, por muito que seja a fixação, o expediente que até pode dar votos não se esgota nas viagens aéreas e marítimas! Nem nos subsídios. Será pedir muito que os candidatos se pronunciem com insistência sobre outras descontinuidades que nos lesam e que, já gora, apontem soluções em vez de problemas?
. Ao abrigo da previsível e legítima contestação ao novo regime de mobilidade, nem sempre coerente e bem fundamentada, ouve-se com insistência palpites sobre o cenário ideal, que invariavelmente preconiza o melhor de dois mundos. No tempo da unanimidade, mesmo antes de Passos vir revelar a então benesse, já o DIÁRIO, na sua edição de 1 de Junho, alertava para os riscos da emenda, tendo perguntado se a endeusada opção açoriana seria melhor do que a comparticipação de 50% por bilhete, sem mais burocracias nem complicações. Porque será que na altura a malta que pensava ganhar uns trocos valentes com o novo modelo nada disse?
. Por causa das eleições, o arraial do Rosário foi adiado. Há gente assim, submissa a outras vontades, indiferentes às tradições e pior, disponível para ridicularizar os cidadãos, como se estes não soubessem assumir a diversidade de responsabilidades num mesmo dia. Até o futebol já mostrou como se faz.
. Os incentivos públicos às rádios locais estão consagrados na Lei. E não são passíveis de serem confundidos com caprichos governativos, nem com outros delírios que desterraram num só jornal 52 milhões de euros. Por isso, antes de qualquer comparação inusitada, convinha ter noção dos efeitos. Corte-se com justiça, talvez 10 ou até 20%. Mas é certo que alguém vai pagar a factura por mais uma traição.