Temos de ser mais profissionais. Já nem falo da politica do “desenrasca”, que só pode acabar em desastre. Falo, tão somente, do “amanhã”.

É o amanhã do serralheiro, ou do canalizador, que acaba por ser o fim de semana seguinte, é o chega em dois a quatro dias do vendedor de electrodomésticos, que descamba em duas semanas, é o pago para a semana do cliente e que, sabemos todos, raramente é cumprido.

Mas é ainda mais do que isto: é a nossa aparente incapacidade de cumprir um compromisso que tenhamos assumido. É o aceitar vários encontros para a mesma hora, é o não devolver uma chamada em tempo útil.

Sinto falta de um tempo que não cheguei verdadeiramente a conhecer, em que as barbas de um vice-rei serviam de garantia, e em que a palavra de um negociante valia tanto como a sua assinatura.

Isto é verdade para o patrão que promete uma promoção a um funcionário que não tem intenção de promover, como é para o político que faz promessas que não sabe se pode cumprir, e como é para o governante que, eleito com o compromisso de não aumentar impostos e cortar pensões, faz ambas as coisas, e tem o desplante de considerar que é verdadeiramente a melhor opção para o país. É verdade para o profissional (médico, guia, advogado) que aceita várias marcações para o mesmo período, como também para o fornecedor de serviços que promete o mesmo qualquer bem (táxi, autocarro, quarto de hotel, avião, …) a várias entidades ao mesmo tempo, e que acaba por não poder cumprir, incorrendo em custos (para si e para outros) porque não foi capaz de cumprir o que prometeu.

Temos todos de ser mais profissionais – e mais sérios –, porque esta é a única maneira de sermos levados a sério num mundo cada vez mais competitivo, e que cada vez se compadece menos como amadorismos e faltas de seriedade.

Roberto Loja, [email protected]