Já diz o nosso Cristiano Ronaldo que os golos são como o ketchup… demora a sair, mas quando sai, vem tudo de uma vez. À quarta jornada apareceu finalmente o Marítimo que todos nós queremos ver. Mandão, autoritário, com (muita) qualidade de jogo, apetência pela baliza e, claro, conquistador de pontos. Após uma semana de interregno, o Marítimo retomava as hostilidades recebendo em casa um Vitória de Setúbal, que ocupava o 7º lugar, sem derrotas e embalado com o melhor ataque da prova encabeçado pelo velho conhecido Suk. Seria um teste, quiçá decisivo, à estaleca deste novo Marítimo. Que passou com nota alta mas ainda com pontos a rever.
Desde o pontapé inicial na bola que o Marítimo passou a dominar o encontro.
A primeira parte foi uma sucessão de oportunidades de golo para a turma verde-rubra, incluindo um “estoiro” de Edgar Costa ao travessão sadino. Mas a bola não queria entrar e na única vez que o Vitória desceu à área verde-rubra, já no findar da primeira parte, num lance aos trambolhões faz o primeiro golo do jogo, colocando o placar num tremendamente injusto 0-1. Se o resultado arrefecia os ânimos na bancada, a qualidade de jogo que o Marítimo mostrava até então dava confiança no volte-face do resultado. Desconheço o que o Ivo Vieira disse aos jogadores no intervalo, mas para a segunda parte voltou uma equipa decidida a partir o frasco do ketchup – se não sais a bem, sais a mal! E saiu mesmo.
Foram 5 golos na baliza de Rader em 45 minutos, e podiam ter sido muitos mais. O guarda-redes sadino evitou o que conseguiu e teve 3 ou 4 grandes intervenções em lances com selo de golo. No total o Marítimo fez 30 remates (!!), 14 enquadrados entre os postes. Tivesse demonstrado a eficácia da segunda metade na primeira e hoje estaríamos aqui a falar de um resultado escandaloso! Para este resultado, para a dinâmica de jogo apresentada, muito contou o Marítimo com um inspirado Ghazaryan, a justificar o título de “maestro do Cáucaso”, muito bem secundado por João Diogo (cada vez mais um extremo de valor) de um lado, e Edgar Costa do outro, e com as costas seguras pelo Alex e o Fransérgio (a assumir de vez a posição seis). Nota positiva ainda para os laterais Patrick e Rúben, este a assinar o golo do empate num lance cómico (só vendo na televisão). E, claro, Dyego.
O mal-amado da frente de ataque do Marítimo que deixou muitos a suspirar por Marega em Belém, teve um jogo muito bom e mostrou dotes de homem de área (onde reside as suas verdadeiras qualidades), apontando dois golos de belo efeito (o brasileiro leva 3 golos marcados na liga, todos de cabeça). Só Salin achou de estar num dia de inventar e ofereceu os dois golos ao Setúbal que só não tiveram outro impacto porque o Marítimo, globalmente estava num dia sim. A rever Salin. A rever!
E assim, em grande estilo e na presença da famosa “nota artística”, o Marítimo conquista a sua primeira vitória na Liga. A equipa demonstra a qualidade no seu jogo que mostrou na parte final da temporada passada, já com Ivo Vieira ao leme, sendo que hoje tem claramente mais soluções para várias posições que não detinha antes.
E se pensarmos que Tiago Rodrigues, Marega ou Babá não foram opção para esta partida, creio que não cometo nenhuma heresia em dizer que podemos aspirar a um melhor campeonato este ano. Na quarta-feira recebemos em nossa casa a Académica para a Taça da Liga, que eventualmente permitirá ao Ivo Vieira experimentar alguns jogadores que aguardam a sua oportunidade. Sempre com os olhos postos na vitória.
Luís Miguel Rosa, Advogado