O grupo Pestana, dono de ativos com um valor superior a 1.100 milhões de euros, admite vender ativos alguns se as condições de mercado forem favoráveis, afirmou hoje o administrador José Roquette.
Num encontro com jornalistas em Lisboa, o administrador responsável pela área de desenvolvimento admitiu a possibilidade da alienação de ativos -- o grupo tem uma carteira de 86 hotéis, com um valor estimado acima dos 1.100 milhões de euros -, referindo que a eventual venda depende das"condições que o mercado for oferecendo".
Ao longo das quatro décadas de existência, o grupo cresceu com a propriedade dos ativos, sendo investidor e gestor em simultâneo, mas agora está empenhado em reforçar a operação também através de contratos de gestão, explicou.
"A mudança de modelo está a acontecer, mas é difícil", declarou, explicando que, quando o grupo Pestana concorre à gestão de um novo projeto, se defronta com grupos que apenas se dedicam a contratos de gestão e que têm modelos de negócios muito mais aprofundados.
Nesse sentido, considerou, "é muito importante desenvolver habilidade de conseguir contratos de gestão pura e com investidores internacionais".
Em 1996, 100% dos hotéis Pestana eram propriedade do grupo e hoje essa percentagem baixou para 66%, sendo 22% dos hotéis em regime de arredamento e concessão.
Podendo ajudar na concretização do projeto de crescimento delineado até 2019, entre 35 e 45 milhões de euros por ano, na abertura de dez hotéis (dos quais seis fora de Portugal), José Roquette realçou que "o grupo consegue responder, sem dificuldade ao plano de investimento".
Na questão do financiamento, o grupo líder em Portugal tem vindo a tentar "internacionalizar a relação com o sistema financeiro": "Não podíamos continuar a ser apenas financiados por bancos portugueses e espanhóis, como acontecia até há pouco tempo".
"Já estamos com uma ligação ao mercado de capitais europeus", sublinhou, referindo o projeto do primeiro hotel em Amesterdão será financiado por um banco local.
Em relação às Pousadas de Portugal, o administrador adiantou que "é um projeto para manter", podendo existir "uma modificação aqui e ali".
Com a abertura dos novos dez hotéis até 2019, o grupo acrescenta cerca de 1.000 quartos ao seu portefólio.
"Queremos reforçar muito a nossa presença na Europa e na América do Norte, que vai dominar muito os objetivos de investimento do grupo nos próximos anos", declarou José Roquette, referindo que entre os novos dez hotéis estão projetos em Madrid, Amesterdão e Nova Iorque.
