Ricardo Vares Nos últimos dias percorri vários fóruns nas redes sociais, onde se discute a bondade da abertura manifestada pelo Governo Regional ao acolhimento de refudiados. Não de migrantes oriundos das mais diversas paragens do mundo islâmico, mas gente a quem os Estados europeus atribuirão esse estatuto, uma vez compravada nacionalidade e a perseguição a que estão sujeitos no país de origem.

Mas, de regresso às redes sociais, por estes dias fui convidado a acolher em casa “essa escumalha”, como muitos se referem a esses seres humanos, pelo facto de eu considerar que os nossos líderes se levantaram em defesa de valores inquestionáveis e há muito consagradados.

Se decência não bastasse, esquecemo-nos ou ignoramos que o país está obrigado a acolher refugiados enquanto signatário da Convenção de Genebra de 1951? Primeiro, para proteger refugiados europeus no pós guerra e alargada a refugiados de todo o mundo a partir de 1967.

Líderes da UE, Chefes de Estado e de Governo dos 28 e, nos últimos dias, Obama, líder da potência global visada pelo extremismo fez há pouco 14 anos, têm bem presente o humanismo e a solidariedade. Esses são os valores que se impõem a qualquer líder, a qualquer cidadão e a qualquer Homem perante esta crise.

Felizmente, por cá, temos um líder capaz de erguer a voz em defesa desses valores e sem receio de condenar comentários indignos de seres humanos.

Digo mais, apreciaria que responsáveis dos diferentes quadrantes políticos abordassem publicamente este tema incontornável da actualidade. Tenho a certeza que a humanidade e a solidariedade percorre todo o espectro político. Talvez o momento político não seja oportuno para condenar a intolerância de muitos nas redes sociais. Mas lembrem-se. Quem cala consente! Talvez também seja pela coragem que uns são líderes. E outros não.