A imagem de um doente com hepatite C a pedir ao ministro da Saúde que lhe salvasse a vida, não precisa de grandes comentários. Por mais argumentos que se apresentem e respostas patéticas que sejam disparadas, a cena é arrasadora. Tão dura que teve resposta imediata, com garantias de tratamento e de compra de um medicamento milagroso e milionário.

E é esse o centro da questão: o preço criminoso pedido pelo laboratório que produz o medicamento. Neste, como noutros casos, a máfia das farmacêuticas apresenta-se no seu máximo expoente, sem piedade ou qualquer sentimento de humanidade.

O negócio é feito, na boa tradição dos vendilhões, segunda a cara e a bolsa do freguês. Para os países ricos, onde parece que estamos incluídos, a tabela é de 48 mil euros por doente, para os mais pobres vai descendo. O objectivo é simples: que todos paguem o máximo possível.

Há algum tempo, uma reportagem mostrava que o preço dos medicamentos para controlar o colesterol tinham preços, segundo os países onde eram vendidos, que ultrapassavam os 1000%. Em nenhum caso os laboratórios estavam a perder dinheiro.

No caso da hepatite C, justifica-se a repetição das medidas drásticas decididas por países como o Brasil ou a África do Sul em relação aos medicamentos para a SIDA: procurar todos os meios para produzir os medicamentos em laboratórios nacionais e ignorar as patentes das farmacêuticas. Se quiserem protestar que sigam para os tribunais. No caso do Brasil, bastou a ameaça do governo de Lula da Silva para resolver o problema.

O comportamento criminoso de exigir pagamentos com margens de lucro de 5000%, como é o caso do tratamento da hepatite, não admite discussões. Se for possível reproduzir o medicamento, é obrigação de qualquer governo fazê-lo. Mesmo os que dependem de partidos que recebem donativos e contribuições dos laboratórios.