-Quando ocorreu a chacina nas instalações do semanário francês “ Charlie Hebdo” em início de Janeiro último - este expoente máximo duma vingança, assinalado pelos seus autores como um justo castigo pelas satíricas ofensas a um Deus Maior, entendemo-la todos, como o lado mau dum desiquilíbrio social, que parecendo aparentemente latente, pôde chegou a esta extrema actuação. Devemos tentar entender, o lado bom desta trágica ocorrência: chamar a atenção para todas as manifestações de fanatismo - que são minoritárias - seja no norte de África, Médio Oriente, no Ruanda ou na Nigéria, saber conhecer as suas causas e os seus motivos e origens. São os fanatismos que conduzem as principais guerrilhas no mundo, incluído aqui o nosso “pacífico mundo ocidental”... que tem afinal dentro dele, este problema bem vivo. Não conseguimos digerir este extremismo, na nossa lógica social, religiosa ou cultural, mas temos de assumir a sua realidade e existência, tomando medidas. E lembramos um exemplo em Portugal, de um poeta - Guerra Junqueiro -que, nos finais do século XIX, criticou o clero, satirizando Deus, satirizando as suas obras e decisões, descrevendo-as nos poemas de “ A Velhice do Padre Eterno” ... que muitas críticas suscitou, mas não passaram disso mesmo ...! Outros tempos! - Quando participei no último congresso médico, confrontei-me com a evolução dos números da diabetes no mundo. Em 2030 serão quase 600 milhões de diabéticos - doença endócrina, relacionada com uma falência orgânica do pâncreas, irreversível, isto é, incurável e obrigando a tratamentos para toda a vida. Este é o lado mau! Imaginam quanto vai custar aos países, tratar estas pessoas até á morte? Eu não imagino, mas será um número astronómico, só para esta precisa doença. E ainda faltam lembrar, entre outras, doenças associadas, como hipertenção ou dislipidémia, que também são para toda a vida! Mas devemos procurar o lado bom, aquele que poderá combater este flagelo que se avizinha, ... e que resumo numa simples proposta: - Pouca Cama, Pouco Prato e Muito Sapato! Hoje, o nosso alimento é o nosso melhor medicamento! Saibamos escolhê-lo! As prateleiras dos super e híper-mercados estão cheias de “venenos” dentro das mais variadas e atractivas embalagens. Temos de os identificar, reconhecer, para depois poder evitá-los. A obesidade ou até o simples excesso de peso, são problemas em 35 a 40% da população e são corrigíveis. E digo corrigíveis, porque ... e insisto neste ponto ... deve haver vontade própria dos interessados. Cada qual corrige o que quiser, como quiser... sem exageros. O exercício físico, é outro problema ... custa-me falar sempre nele e depois ouvir respostas absurdas, tipo: - Não Me Resta Muito Tempo! Falso! Totalmente falso! O exercício é mais prioritário que as novelas ou o Real-Madrid/Chelsea na televisão! Porque até há tempo para tudo! Há que saber usá-lo! E beneficiar do seu efeito, indiscutível! - No fim do ano passado ouvi num noticiário televisivo, que os portugueses iam viver, em média, mais 14 anos! O lado bom, digo eu! Perante esta declarada previsão, pensei e perguntei: Mas como? Como vamos viver mais 14 anos, ... exactamente os últimos 14 anos de vida? Quando é a hora de começar a preparar, para viver esses últimos anos? E vem o lado mau: Trabalho Activo, Exercício Adequado, Alimentação Saudável, Manutenção da Bioquímica Orgânica, em resumo: PREVENÇÃO! Coisa em que os governos terão de apostar! Para podermos viver, com qualidade, mais 14 anos, temos de fazer muita prevenção, nas áreas fundamentais, que já referi. E chamei-lhe o lado mau, pelo facto de que, se não formos capazes de nos preparar a tempo, podemos viver mais, sim, mas vamos viver mal. E vamos continuar a ter episódios ridículos nas urgências dos hospitais! Um hospital e uma urgência será com certeza o local mais seguros para um apoio emergente. Não será indicado para estes problemas sazonais de surtos gripais e infecções respiratórias. Têm de ser os Centros de Saúde, ... que têm de estar abertos, em locais bem escolhidos para apoiar toda a população. Morrer na urgência até pode estar certo! Dependendo da circunstância que motivou a ocorrência! Se a prevenção não for uma obrigação, se não for bem entendida por toda a gente, por quem manda, por quem paga impostos e por quem é mais desfavorecido e pobre, não chegamos lá. E vamos ficar á espera, só para “fotografar”, o que resultou do lado mau... desta fita! Se não investirmos em Prevenção na Saúde não deixaremos de conviver com estas situações tão terceiro-mundistas! P.S. Só 10% da população madeirense se vacinou contra a gripe !!! Mas as vacinas não são feitas para evitar as doenças???
José Manuel Morna Ramos