António Ribeiro Marques da Silva Em 26 de Janeiro, no ‘Espaço Participação’ do “DN”, é dada correcta resposta à anunciada “estratégia para o turismo da Madeira” por parte da ACIF, pelo leitor que assina “HL”, o qual opina que o fundamental é a preservação da paisagem “a todo o custo”, respeito pelo ordenamento e, pela legislação quanto à orla marítima, extensivo ainda quanto à construção adequada à paisagem e escrupuloso cuidado quanto aos PDMs. Curiosamente, na última página do “DN”desse dia, Rui Moreira, Presidente da Câmara do Porto fala dos efeitos perniciosos do turismo em que, não havendo cuidados, pode levar à expulsão das populações autóctones. Relembro, citadas em 31 de Janeiro, as opiniões do gestor madeirense Duarte Silva, director da Quinta do Lago que se opõe, a este plano, no aspecto do aumento do número de camas a cifrar-se em 40 mil. Chamo ainda a atenção para a notícia “Arquitectos alertam partidos”, no “DN” de ontem, em que Rui Campos Matos aponta para a necessidade de requalificação paisagística e ambiental das zonas urbanas e rurais, fazendo ressaltar o impacto negativo do urbanismo na paisagem. O aumento previsto para o número de camas é assustador. Lembro que em 1991 o próprio Governo Regional encomendou um estudo a uma companhia internacional, a Kerr Forster, a qual se pronunciou sobre o número ideal de camas para o turismo madeirense que propunha, para o ano 2000, de 19 000 camas. Compare-se, com os aumentos que houve, agravar-se agora a situação com mais 40 000 camas ! Se isto sucedesse, verificar-se ia a passagem de um turismo de qualidade para um monstruoso turismo de massas. Os pilares do turismo madeirense, a paisagem,o ambiente e o clima desapareceriam fazendo “afogar” a presença portuguesa madeirense e determinar a absoluta descaracterização da nossa identidade.