Voltemos aos tempos em que se publicavam anúncios no DIÁRIO onde se davam “alvíssaras” a quem encontrasse pessoas ou objectos desaparecidos. Dão-se alvíssaras a quem souber do paradeiro das seguintes personalidades: João Cunha e Silva, Manuel António Correia, Miguel de Sousa, Sérgio Marques e até Jaime Ramos. Desde o congresso do PSD-M, no final do ano passado, que quase ninguém sabe deles. A agenda pública eclipsou-se, as propostas para tudo e mais alguma coisa parecem ter sido arquivadas, as novas ideias também. E até os governantes parecem ter-se demitido antes do tempo. Percebe-se, com alguma benevolência, a estratégia do silêncio dos candidatos derrotados. É quase normal: não foram escolhidos, afastam-se e abrem alas para o eleito. O que não se entende com tanta facilidade é esta atitude de atirar para o fundo da gaveta tantos contributos e ideias e projectos e propostas que todos tinham antes do congresso. Todos com excepção de Jaime Ramos, claro! Que é feito dos vários grupos de trabalho criados pela candidatura de João Cunha e Silva? O que aconteceu aos militantes e independentes que se prestaram a ajudar? Que é feito das ideias reunidas pela candidatura de Manuel António Correia? E das propostas de uma maior abertura antes recusada? Que é feito das ideias e das críticas tão persistentes de Miguel de Sousa? E os reparos de Sérgio Marques, logo depois rendido ao presidente eleito? Em poucas semanas, toda a surpreendente massa crítica, a mesma que esteve adormecida durante décadas nos calabouços da Rua dos Netos, parece ter voltado a hibernar. É pena. Não por qualquer desejo de polémicas estéreis ou de divisões onde já se percebeu que não existem. É pena porque essa ilusão de combate ao pensamento único dá sinais de ter sucumbido à primeira adversidade. E isso é pouco para quem prometia tanta persistência. Dirão os social-democratas mais convictos que é normal que seja assim em nome da unidade interna, do projecto ganhador, da nova liderança. Os mais oportunistas dirão a mesma coisa. Mas os mais atentos, sobretudo dentro do PSD, já devem ter percebido que foi assim que começou o jardinismo. Com uns quantos a se calarem para apenas falar e pensar e aparecer e mandar um só. Com muitos a se afastarem, ou a serem afastados, para dar lugar ao único importante. Voltemos então aos anúncios da ‘Madeira velha’: Dão-se alvíssaras a quem conseguir desviar o novo PSD dos erros do PSD velho.