No caminho em direção às eleições regionais, grande parte dos candidatos tem, até aqui, ficado pelo óbvio. 38 anos de governação e pensamento absolutista traduziram-se, sobretudo na sua reta final, numa multiplicação de erros de onde se tira a ilação de que está quase tudo por fazer – e entre o tudo, o mais óbvio e mais fácil de prometer. É em torno do óbvio que os candidatos ao Governo Regional têm centrado discursos: na alteração de um Estatuto Político-Administrativo caduco, que não aplicou na Região as mais elementares boas práticas do bom senso político atual – ainda que até aqui muitos o tenham promovido e convivido muito bem com a situação, à custa da qual foram sobrevivendo; no renegociar da situação fiscal madeirense – ainda que tenham, às escondidas, negociado a extensão do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro, o mesmo que retira à Madeira a Autonomia para aplicá-lo, a mesma Autonomia de que se dizem os principais defensores; na alteração do quadro de apoio às viagens aéreas – ainda que alguns sejam simultaneamente parte integrante de um Governo da República que até aqui nada fez para alterar uma situação que todos identificam como insustentável; e no regresso do transporte marítimo de passageiros entre a Região e o Continente – ainda que tenham sido responsáveis pelo desaparecimento forçado dessa solução de mobilidade que hoje todos reconhecem como essencial. É perante o óbvio que o eleitorado madeirense tem sido colocado durante as primeiras semanas de uma pré-campanha que se avizinha longa, ou não fossem tantos a ir a jogo. O que se pede a todos, candidatos e eleitores, é que vão para além do óbvio: primeiro, que reconheçam o que nos trouxe até aqui – as opções, os rostos e as convivências pacíficas; depois, que analisem soluções para o médio e longo prazo, para além do evidente e imediato - porque nas eleições regionais de 29 de Março não se decide apenas o agora, mas tudo o que virá depois de 40 anos do mesmo. Aguardemos.

João Pedro Vieira Presidente da AAUL