Aquilo que deveria ser um espectáculo desportivo, transformou-se numa negação total do que olimpicamente denominamos “o desporto é uma escola de virtudes”. Exaltação, num jogo de futebol através de tarjas, á morte de um adepto, de um jogador e de um chefe de claque, petardos sobre adeptos e jogadores adversários, constitui um arruaceirismo perigoso e de difícil controlo se a resposta dada a estes radicais continuar a ser através de comportamentos que indiciam proteção das Direções dos clubes. Leva-me a concluir que aqui há promiscuidade com fins obscuros que não a defesa do futebol e do clube. Existe medo das claques? “Se todas as batalhas dos homens se dessem apenas nos campos de futebol, quão belas seriam as guerras”. Claro que só um Poeta (brasileiro) Augusto Branco poderia pensar assim. A poesia é linda, mas abstrata e muitas vezes contrária ao realismo da vida. Perante a gravidade dos factos que deveriam fazer soar o “toque de reunir” dos responsáveis desportivos, começou a “guerra” do passa culpa, quem foi o 1º, quais as atitudes mais intoleráveis e quantificação de quem mais arruaças praticou no tempo. E, lá vem as acusações mútuas; “egocentrismo, mitómano, irresponsável, folclore, incentivador de ameaças de morte, futuro papa, jogar á porta fechada, perda de pontos, queixas na Liga e Ministério público, e por aí fora. Questionar a sua própria responsabilidade, como líder, no controlo das suas “massas” adeptas mais radicais sobretudo no domínio do comportamento? O orgulho não permite. Sentar-se em conjunto na busca de soluções práticas e eficazes implementando fortes medidas punitivas desincentivadoras de comportamentos animalescos nos estádios? Não. A solução foi o corte de relações, costas voltadas, branquear a gravidade, usando o advento de tragédias em benefício pessoal, estratégia que em última análise legitima as ações provocadas por desordeiros profissionais. Seria bom refletir no que escreveu a escritora e jornalista ucraniana Clarce Lispector. “Aquele que caminha sozinho pode até chegar mais rápido. Mas aquele que vai acompanhado com certeza chegará mais longe”. Coragem e mão de ferro para aplicar as leis já existentes, a fim de por termo á escalada de violência, que os dirigentes não conseguem ou não querem. E que faz o poder político? Os governantes não se podem demitir da defesa dos cidadãos que gostam de futebol. Nos sucessos desportivos é vê-los a colocar uma gravata e a correr para a fotografia. E agora escondem-se? As claques são, paradoxalmente, grupos “inimigos” com interesses muito próximos e comuns. Poderiam assim juntar as inúteis sinergias e formar o “Energúmeno e Arruaceiro Futebol Clube”. Pelo menos adeptos não faltariam a começar pelos 3 madeirenses que cobardemente perseguiram de automóvel 3 jovens árbitros após o jogo E. Calheta –Barreirense. Safaram-se porque, com coragem, conseguiram chegar ao posto policial da R. Brava onde foi apresentada queixa. Qual será o resultado?

Francisco Costa Técnico de arbitragem