A educação na Região necessita de um novo rumo, todavia, não se pode cair na tentação de mudar tudo o que foi feito antes só porque foi implementado por outro governo. Exige-se sentido de responsabilidade. A par das retificações e das diferentes linhas estratégicas, seria positivo dar seguimento ao que está bem, por exemplo, e porque o sucesso dos alunos não se mede apenas nos exames e nas metas curriculares, prosseguir com a aposta na área da formação pessoal e social, nas componentes regionais do currículo e continuar a investir na valorização da profissão docente, embora, seja necessário repensar a avaliação dos professores. As aulas assistidas por um avaliador externo, que percorre as escolas, em muitos casos, faltando às suas próprias aulas, não garantem uma avaliação rigorosa e justa do professor. Em relação às questões da indisciplina, do abandono, absentismo escolar, da segurança e do papel das famílias, já escrevi e volto a insistir que precisamos de um plano estratégico de intervenção, assente num trabalho colaborativo entre a Secretaria Regional da Educação, as escolas, o Instituto de Segurança Social, os Serviços de Saúde, a Polícia Segura, o Tribunal de Família e Menores e as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens. O financiamento das escolas precisa de um modelo mais eficaz. As escolas perdem projetos financiados pelo Fundo Social Europeu a 100% e a 80%, porque não lhes é concedido o orçamento para adiantar as verbas. As escolas elaboram o seu orçamento de acordo com o seu Projeto Educativo e tendo em conta também os problemas com as infraestruturas, as necessidades de aquisição e renovação de equipamentos imprescindíveis para a qualidade do ensino e da aprendizagem, entre outras carências básicas, mas ficam pelas intenções, porque o orçamento sofre cortes substanciais em diversas rubricas, bem como o congelamento de outras. Antes das mudanças necessárias, propõe-se uma avaliação de todo o sistema educativo regional, conhecer pontos fortes e fracos, perceber as suas problemáticas, escutar quem está nas escolas, respeitar a diversidade, o contexto cultural e socioeconómico de cada uma delas.

Rui Caetano Professor