Carla Filipa Gonçaves Uns nascem, quase nenhuns, uns morrem, cada vez mais, os velhinhos e não só, outros muitos partem para o estrangeiro, levando filhos pequenos, mães e avós...
E o desemprego, a fome que lavra por aí, as crianças, os doentes do hospital medíocre, despojado de tudo e em que nada é já de graça, as escolas sem quase nada... Aonde isto vai parar?
É Madeira, tu sabes mas finges não saber. Quando pensarás em ti? Até quando não exigirás e mudarás? Não terás também tu direito à qualidade de vida que mereces como qualquer povo? Até quando isso será privilégio de uns “happy few” que se usam de ti, te ludibriam e de ti escarnecem depois de te terem sonegado e sugado o que é teu? Continuas a acreditar nesses que vive(ra)m à grande e à francesa às tuas custas? Continuarás a dar o poder que é teu a esses senhores doutores que fazem da política profissão? Gente que de outro modo não tinham vida ou teriam que se sujeitar a trabalhar?
E o povinho superior continuará a ser comido de várias maneiras. O povinho até parece que gosta e vai dando os tachinhos de ouro sempre aos mesmos, os que nasceram no bercinho de ouro, têm saúde e educação de ouro, carrinhos de ouro, casinhas de ouro, salários e mordomias de ouro, roupinha, comidinha, viagenzinhas, reforminhas... e demais coisinhas.
Pois é Madeira, abres mão de uma vida boa para dar boa vida a uns que já a tinham de qualquer modo.
É, Madeira, sofres, mas não falas, gemes mas não fazes nada.
E se calhar ainda cais nas cantigas e na farsa dos mesmos de sempre, nos que acham que a palavra renovação é deles para vender ilusões, mentiras e propaganda. Renovação? Nova definição da palavra - eufemismo de rotação de cadeiras!
Esfolas-te e emagreces as tuas entranhas e as dos teus filhos para uma elite douta que se engrandece promiscuamente. Uns pseudo-intelectuais repetentes que regurgitam nonsenses da escolinha J e verborreia flatulente na corte dos congressos e sedes do partido da laranja azeda e podre!
Congressistas ilustres alguns que se fizeram transportar para mui importante congresso, como? Sim, isso mesmo! Ao estilo de frete e de boleia, em carros oficiais, de câmaras municipais, a da Ponta do Sol foi uma delas, secretarias e demais propriedade da Região.
Quem disse que atividades partidárias, do Estado e o Bem Público não se misturam? Então isto não é tudo nosso e do partido? Então quem é que manda no Governo, nas Secretarias, nas Câmaras, que ainda temos, e no partido, não somos nós mesmos? Ora essa… Além disso era fim-de-semana e os nossos carros pessoais gastam muito combustível, por causa das cilindradas…
Porque afinal são todos advogados, e engenheiros e arquitectos e empresários e suas proles e compadres e amigalhaços que estão na política PPDeira. Curioso, não é?!
É Madeira, a política da antiga vai continuar. A peça está montada, os contatos feitos, os telefonemas, as promessas de tachos, as palmadinhas nas costas, as moedas de troca, os apoios, os pau-mandados, os mil e um manjares, as reuniões secretas, as armas e esquemas em direção ao poder absoluto.
É imperativo, é para fazer assim, falar com aquele, afastar este, eliminar aquele, trazer este, bater a Madeira e Porto Santo de lés a lés, começar a falar e virar essa gente toda, prometer tudo e mais alguma coisa. A partir de agora é o fim que importa, o poder é para ser detido, não é para ser dividido. Isto é política, mas também prestígio e imagem pessoal. Não há espaço para erros e imaturidades ou amadorismos. Era o que faltava, o primeiro governo minoritário do partido! E passar pela experiência do Pedro! Oh! Mas não será melhor?, Não acho que seja boa ideia., Não concordo, Sr. Doutor, Mas então e aquela conversa da abertura. Mas esses indivíduos... Caro amigo, isso era até ao dia 29 de dezembro, agora é para quem quer. Vamos ao Passos, juntar a mão e a luva.
É Madeira, juntou-se a fome com a vontade de comer. É Madeira, e a saga continuará e nem te prestarás ao arrependimento. E não deixarás a preguiça para pensar no que fizeste, nem pensarás na preguiça que tiveste quando não quiseste pensar.
Mas isso não acontecerá, pois não Madeira? Não deixarás que machado algum que te corte a raiz do pensamento.