Jorge Martins Um dia, mais precisamente agora, bem de noite, surgiu, ao intuir um impreciso prurido dubitativo, quiçá metódico, embora real no que se refere ao que sinto, um entendimento, aliás antigo, que o opinar em causa própria, não só diverge, frequentemente, da razão, como atropela, sem apelo nem agravo, o necessário distanciamento, indispensável a um concreto, racional e equitativo raciocínio, seja ele àcerca do que for. Encalhei na inquestionável, ainda que porventura muito pouco elogiável, presunção da despudorada utilização argumentativa, não em defesa do que sei ou sinto, antes no que me traz algum benefício, confundindo o bem geral com o que, em termos individuais se pensa ser o mais vantajoso. Se este tipo de raciocínio tem beneficiado os possidentes, tal manifestação de individualismo egocêntrico, tem-se revelado um autêntico desastre para aqueles e são muitos, que agarrados aos parcos recursos que, árduamente, conseguiram amealhar, seguem as directrizes das aves de rapina que, com toda a desfaçatez, os sugam, rodopiando entre os ciclos de esperançosas promessas, qual banha da cobra, lhes vão vendendo . É assim que se esfumam os sonhos dos não sonhadores, se finam os fingidores de capitalistas, perante as gargalhadas sonoras e mediáticas, dos vigaristas encartados, senhores da alta-finança e baixa, muito baixa, estatura cívica e intelectual , aproveitando-se desavergonhadamente, da ausência dum mínimo de atitude, já que coragem nem alvitram do que se trata, assim construindo os seus particulares paraísos, tão cantados e mostrados pelos serviçais, “estrelas” disto e daquilo, que mais não fazem do que, subjugar pelo “encantamento” os basbaques ignorantes que os idolatram. É bom, diria mesmo que higiénico, que aconteçam coisas diferentes, destemidas e corajosas como o que ocorre na Grécia e em Espanha. É um desafio de esperança com uma vantagem fundamental. Sem comprar ninguém. quem por eles vai, não pode NUNCA dizer que foi enganado.