O desastre em que mergulharam a nossa Saúde nos últimos anos obriga a que haja necessariamente uma mudança de protagonistas e em todo o sector. Os madeirenses dificilmente iriam compreender e aceitar que, perante todos os resultados negativos na Saúde, os milhões em obras inexplicáveis, as polémicas constantes, sucessivos erros de casting nos cargos políticos e administrações, as perseguições mais reles que se possam imaginar nas diversas classes profissionais, tudo mudasse para no fim continuar tudo na mesma. No novo ciclo que se aproxima, a renovação tem de ser profunda e efectiva. A situação catastrófica em que ainda se encontra a Saúde levará muito tempo a ser corrigida, irá exigir muita coragem, muita preparação técnica, muito trabalho e um enorme espírito de missão e sacrifício por parte de todos aqueles que assumirem cargos com responsabilidade. A Madeira tem de aprender com todos os erros que foram cometidos nos últimos anos na sua Saúde e tem de iniciar uma verdadeira renovação num novo ciclo. O Sistema Regional de Saúde (sector público, sector privado e sector social não lucrativo) deve contar com a competência técnica de todos os nossos profissionais de saúde. As restrições financeiras não podem condicionar o acesso, a liberdade de escolha e a qualidade dos cuidados que são prestados à população. A promoção da saúde, onde os Centros de Saúde e os médicos de família têm papel fulcral, deve ser o principal objectivo a cumprir no novo ciclo que se aproxima, mas importa garantir à população que em, caso de doença grave, seremos capazes de garantir o melhor tratamento possível aos nossos utentes e que estes terão as mesmas condições e possibilidades de cura face a outras zonas do nosso país. Para que isso aconteça será necessário que se construa um novo hospital que substitua as duas unidades actuais. Qualquer outro tipo de solução não será competente para garantir uma Saúde com qualidade e sustentabilidade. Uma nova unidade hospitalar deve ser vista como um desígnio regional a realizar, que deve ser alvo de concordância política por parte de todos os partidos e de todo o país. Não devemos, nem podemos, continuar uma política de acrescentos e remendos a um hospital obsoleto que tem custos operacionais cada vez maiores. Um novo ciclo político de sucesso passa por uma Saúde melhor e um Hospital novo. “Isto não é o fim. Não é sequer o princípio do fim. Mas é, talvez, o fim do princípio.” Winston Churchill

Duarte Nuno Dória Gestor