Estamos a assistir a um turbilhão de episódios da vida real que nos deixam apreensivos. Ainda mais confundidos ficamos quando a culpa não é de ninguém, é de alguém não identificável, de algo imperceptivel, de um conjunto de factores que levam a um determinado resultado que infelizmente ocorre e que ninguém assume. Portugal, desde 2011 tem feito uma verdadeira travessia do deserto, o seu povo tem sofrido, como nunca sofreu, com essa travessia. Sendo certo que melhoramos em muitos aspectos, que se disciplinou muita coisa, que recuperamos a credibilidade no exterior, temos de reconhecer que muito destes bons resultados, tiveram um elevado custo para muitos portugueses, que viram muitos dos seus direitos serem decepados, muitos dos portugueses, por muito que se queira maquilhar, não vivem, sobrevivem com grandes dificuldades. Infelizmente tenho que reconhecer que o tão “famoso” chico espertismo português, continua ainda muito vincado em alguns sectores da sociedade portuguesa, que há quem não se preocupe, minimamente de passar por cima de outros para atingir os seus objectivos, que haja quem continue a olhar para os apoios sociais como meio de vida e não como forma de apoio num determinado momento da sua vida.

Muitos, nos últimos dias querem comparar-nos com os gregos. Somos muito diferentes. Quando olhamos para a Grécia e para os gregos, temos de ler como os mesmos se comportam, que sociedade têm, e perceberemos o quanto somos diferentes. Perante as dificuldades de um povo, o discurso eleitoral mais fácil e mais curto é prometer tudo aquilo que o povo viu ser tirado. É prometer saúde aos doentes, alegrias aos tristes, etc… Tudo isto, assim é fácil, o pior é quando esse partido vence as eleições e percebe que não tem meios nem forma de concretizar tudo aquilo que promete e como tal não anda, não desenvolve e culpa os antecessores.

Outra coisa fácil no discurso eleitoral é criticar quem está no poder, “ não fez isto”, “não fez aquilo”, “devia ter feito assim e não daquela forma”…. As pessoas já não querem mais um discurso de boca cheia, um discurso de voz alta, de palavras caras e bonitas, as pessoas querem um discurso sincero, honesto, alguém que lhes diga sim ou não e que justifique o porquê das coisas e que não protele as coisas no tempo, para depois vir dizer que não fez por culpa deste ou daquele, quando à partida sabia que não o podia fazer. A vida das pessoas já está difícil, cada vez mais difícil. Quem nos governa, seja em nível for, que tenha isso em consideração, e que caminhe no sentido de melhorar essas vidas, e não que as use para este ou aquele objectivo politico partidário. Mas que se tenha em atenção que cada um dos cidadãos também tem o seu papel na sociedade, não basta dizer “eu pago os meus impostos”. A sociedade é composta por todos, os direitos e deveres são de todos. O nosso futuro dependerá muito do caminho que escolhermos. Mas atenção, nem sempre aquele que nos acena com muitas luzes, cores e soluções (?), ali logo ao virar da esquina, é o melhor. Seguir a estrada que fazemos, melhorando, alterando, sustentando a mesma é por vezes a solução mais sensata e ajuizada, mesmo que à primeira vista assim não o pareça.

Duarte Vieira