A.G. Mendonça Num dos seus escritos diários, o ainda líder da região escreve a propósito da sua pretensa revisão constitucional da qual é autor, que o mais importante nem é a autonomia mas sim a mudança do sistema político do País. Quem se interessa pela política sabe que a revisão da constituição não está na agenda de qualquer dos partidos com assento parlamentar na AR e portanto foi liminarmente rejeitada pese embora a triste figura a que se sujeitaram os deputados do PSD eleitos pela Madeira. O autor e mandante da proposta estava convencido que o funcionamento da AR era igual ao da ALR da qual ele é dono e senhor.
Mas continuamos sem saber qual o sistema político que o senhor pretende.
Conhecendo o seu passado de apoiante incondicional do Estado Novo que era suportado pela Pide, somos levados a crer que, o que ele pretende é um regime fascista e como não pode deixar de ser, com polícia política e um eficaz aparelho de censura.
Sobre a Pide, julgo ser de conhecimento dos cidadãos, que aquela polícia política perseguia, prendia, torturava e assassinava os opositores ao regime salazarista. Penso que foi um erro enorme dos autores da revolução de Abril não terem levado a julgamento os responsáveis pelas barbaridades da Pide. E nem o aparecimento da chamada “Ala Liberal” da Assembleia Nacional, constituída por um número considerável de deputados que pretendiam uma abertura do regime à sociedade, eram do agrado deste cavalheiro.
Um dos rostos mais visíveis da referida “Ala Liberal” foi Francisco Sá Carneiro. O político que por várias décadas liderou esta região não se cansa de dizer que a sua referência política é Sá Carneiro, isto porque ele está morto. A sua verdadeira referência é ele próprio. Não fica bem falar de um político já falecido para ganhar dividendos políticos.
Com chegada da revolução, (qual camaleão) integrou-se no sistema político então constituído, passando a exercer funções públicas por largos anos mas sem nunca demonstrar que é um democrata. Antes pelo contrário sempre demonstrou não saber conviver com um sistema político democrático.
Sobre a “anedota” do deve e haver, cujo folhetim custou imenso dinheiro aos contribuintes, não passando de um desejo intenso de protagonismo do seu criador. Então o senhor queixa-se de termos sido roubados durante séculos por Lisboa. É claro que durante a maior parte desse tempo em que se verificaram esses roubos, a criatura ainda não era nascida. Mas acontece que ele nasceu, cresceu e como adulto nunca se queixou dos roubos que (segundo ele diz), eram feitos aos madeirenses. Em vez de reclamar como agora o faz, foi um fervoroso apoiante daqueles que ele diz que nos roubaram.