Após um período de indecisão relativo à governação do país, eis que, finalmente, surgiu, numa amalgama tão diversificada de ideologias e de opções tão díspares bem identificáveis no decorrer da campanha, um governo assente numa maioria parlamentar negociada, deixando pairar no ar, a fragilidade que muitos reconhecem que tal união sugere. É evidente que estamos naquela fase que se designa de estado de graça até pelas notícias que nos foram transmitidas de alívio da austeridade a que fomos sujeitos no últimos anos que levará a alguma recuperação dos rendimentos das famílias e retorno de apoios tão fundamentais ao sustento das mesmas. Teremos assim um período de expectativa que se deverá manter até a apresentação do orçamento de Estado para 2016, o documento fundamental para a nossa vida e do próprio Estado. Enquanto isso não acontece, vamos viver o folhetim do cumprimento ou não do déficit orçamental abaixo dos 3% e o habitual sacar de responsabilidades pelos problemas que existem nos diversos ministérios sempre que acontece mudanças de governo. Entretanto, os portugueses vivem já esta quadra natalícia e estão naturalmente mais preocupados em dar cumprimento aos tradicionais preparos para a mesma, relegando para outro plano as questões governativas. No entanto, há perigos que nos espreitam, desde logo uma conjuntura económica internacional difícil motivada pela crise migratória, a instabilidade em termos de segurança provocada pelo avolumar de atentados terroristas que levarão a aumentos acentuados de despesas para prevenir e atacar esses mesmos atentados, os problemas decorrentes das alterações atmosféricas provocadas pelo aumento já significativo do aquecimento da Terra que tem originado intempéries devastadoras em quase todo o mundo e cujas previsões são de aumento e as crises económicas que afectam sobretudo economias emergentes tão importantes para o nosso nível de exportações. A tudo isso junta-se a necessidade de conter a despesa pública que se nos afigura bem difícil, tendo presente o aumento do número de ministérios que este actual governo comporta, o cumprimento do déficit orçamental para 2016, a elevada dívida pública, o rendimento ainda muito baixo das famílias, o nível de investimento que o país conseguirá ter em 2016 e a forma como a nossa economia, com problemas estruturais ainda por resolver, irá evoluir tão fundamental para o combate ao desemprego e à arrecadação de receitas cruciais para a saúde financeira do país. Esperemos que 2016 seja um melhor ano em tudo. Um bom Natal.
José Manuel Oliveira