É sabido que todo o agente político, em matéria de educação, repete o chavão politicamente correcto: “temos de aumentar os níveis de escolaridade das nossas populações”. Pois eu (e um coro já apreciável de vozes) sou da opinião que temos de reformular esta frase para: “temos de rever urgentemente o nosso modelo de ensino”. Eu explico: o modelo de ensino que hoje impera no nosso país poderia ser denominado como o modelo da resposta, quando a escola deveria ser o lugar da pergunta. Isto é: é através da pergunta, da pergunta simples ou elaborada que podemos almejar encontrar a pergunta certa, mas tal só é possível se construirmos um modelo escolar que incentive e promova o espirítico reflexivo e crítico. Ora o modelo em vigor, é assim uma espécie de produtor de soldadinhos de chumbo, em massa, onde o deus da especialização impera. E isso é um erro por mais que uma razão; Primeiro porque a verdadeira aprendizagem, na larguíssima maioria das actividades, dá-se com a experiência profissional e nesse sentido a escola deveria dar mais enfâse à promoção do espirítico reflexivo e crítico e algum à especialização, seja teórica ou prática. Segundo, mais que especialistas, a sociedade, e em particular a Democracia, necessita de cidadãos atentos e intervenientes e para que tal ocorra é necessário ter a mente livre dos nevoeiros que a escola vigente e as suas especializações, potencialmente incutem às crianças e aos jovens adolescentes. Para além de dimensões de enorme importância que se relacionam com o ser humano em si, o qual é submetido a uma injecção de “conhecimentos”, independentemente da sua sensibilidade. Isso não significa que tudo tenha sido em vão. Poderemos até admitir, com alguma condescendência, que este modelo teve o seu tempo e faz parte da aventura humana, mas é chegada a hora da avaliação e consequente mudança. Por outro lado, não podemos permitir que aqueles agentes políticos menos bem-intencionados, ou mesmo portadores de ignorância diplomada, persistam em não contribuir para a renovação do modelo de ensino, pois temem que isso seja prejudicial à manutenção das suas mordomias. Tivemos Salazar para quem a escola era um lugar a evitar. Agora temos políticos que acham que a escola é um lugar a frequentar. Mas substancialmente haverá assim tanta diferença?

Fernando Rodrigues Dirigente Nacional do PAN