Num momento em que decorre em Paris, a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas e se discute o futuro do Ambiente, e em que os cerca de 200 países representados - através de 40 mil delegados -, decidem o que fazer para alterar o rumo das constantes “agressões” ao Planeta Terra, devemos estar alertados para este grave problema que nos afeta a todos, e que num futuro muito próximo poderá por em causa a nossa sobrevivência. Lamentavelmente, o ser humano costuma ter “memória curta”, pois só se preocupa com a defesa do Ambiente nos momentos de catástrofes, em especial as que lhes tocam diretamente. Por estes dias, li uma frase no facebook, escrita por uma criança de 9 anos, a Laura, que questionava: “Chamamos de meio ambiente, porquê. Já destruímos a metade?”. Talvez a resposta certa à Laura seja: sim, andamos perto disso, e se continuarmos alheios ao problema, muito em breve, pouco ficará para as futuras gerações. Eis que, finalmente a China e os EUA começam a preocupar-se com estas questões e já assumem o compromisso de reduzir a emissão de gases para a atmosfera. Uma boa notícia! O Presidente chinês, Xi Jinping afirmou: “todos os países devem contribuir para a solução do problema das alterações climáticas, mas respeitando as suas diferenças. Os países desenvolvidos têm de fazer mais.” Eu atrevo-me a dizer MUITO MAIS, pois parece que só agora “acordaram” para a realidade, quando muito do que já se perdeu não é recuperável. Não nos esqueçamos que a China, os EUA e a Índia, seguidos pela UE, estão no topo da lista dos países que mais poluem o Planeta através da emissão de gases. Segundo informações recolhidas, o ano de 2015, será o mais quente de sempre. Este é já um forte e grave indicador. E nós? O que temos feito nas nossas casas, no nosso trabalho e no nosso meio ambiente envolvente para minimizar tais impactos? Pelo que nos vamos apercebendo, a crise de valores é de tal forma crescente que até nas questões da proteção do ambiente nos desleixamos em simples pormenores tais como: poupar a água (o ouro do futuro), a energia elétrica, o uso excessivo de viaturas movidas a combustíveis fósseis, na recolha seletiva do lixo, etc… Hoje, na Madeira, os Escuteiros Católicos do Corpo Nacional de Escutas celebram o seu 87.º aniversário. O Escutismo é o Movimento mundial que há mais anos apela à proteção e defesa do meio ambiente. Será que todos nós, escuteiros, estamos a cumprir o pedido do nosso fundador Baden-Powell que, há mais de 100 anos, escrevia: “tentai deixar o Mundo um pouco melhor do que o encontrastes”. Será que é essa a nossa prática diária? PS: Porque o Natal está à porta, gostaria de deixar uma mensagem a todos os madeirenses e portosantenses. Em primeiro lugar, àqueles nossos conterrâneos que se encontram doentes, privados da liberdade, com dificuldades financeiras ou outras, para que tenham esperança num futuro melhor. E nós, os felizardos, que sejamos solidários com os demais e que o Natal seja também uma época para refletirmos sobre o rumo das nossas vidas, aos níveis social, económico, proteção do meio ambiente e, especialmente, dos valores fundamentais que se encontram em forte crise. A todos, desejo um Natal Feliz, com saúde e paz.
Carlos Gonçalves, Investigador Integrado do INET-md (FCSH/UNL) – Polo no IPP (CIPEM)