Nas empresas, em qualquer empresa, o seu activo mais valioso é sem dúvida o Recurso Humano. Mais ainda talvez no Turismo, que julgo ser consensual tratar-se de uma indústria de pessoas para pessoas.
Tirando este factor, o humano, somos basicamente um conjunto de paredes. Umas melhores, outras piores, umas mais modernas, outras tradicionais, com mais ou menos infra-estruturas adjacentes mas paredes.
O que dá alma às empresas, o que as diferencia e as torna únicas são essas pessoas, as que diariamente dão o seu contributo para um fim último, que deverá sempre ser o lucro mas que, se for só isso, também se poderá considerar pouco.
É por entender isso que me parece útil perceber melhor esta discussão em torno de contratos colectivos, aumentos salariais ditados por decreto e afins. Porque, da mesma maneira que considero curta a tal existência de um só objectivo final numa empresa, o converter de uma negociação só em euros é igualmente redutor.
Sendo certo que as empresas são todas diferentes, até porque são geridas de forma diversa, o discurso do patronato contra os trabalhadores já não colhe. Ou até pode, em certas realidades mas com franqueza não acredito que seja a realidade na maioria do tecido empresarial regional, em particular no que ao Turismo diz respeito.
Tendo sempre presente a necessária protecção do elo mais fraco da relação, isso não impedirá por certo que se entenda que um instrumento de trabalho datado dos idos anos de 70 não servirá os interesses de nenhuma das partes.
Estou certo que se os Sindicatos falassem mais com as pessoas que dizem representar perceberiam esta realidades, assim como também julgo que se os responsáveis das empresas dialogassem mais entre si seriam capazes de arranjar outras soluções.
Seguramente, deve ser do diálogo entre as partes, da discussão do que as une e as diferencia, que deverá sair a solução. Que, no fim da linha, pode e deve converter-se nos tais euros. A cotar quanto vale cada pretensão, per si, de actualização de um documento obsoleto, não chegaremos lá, sobretudo quando só uma dessas partes apresenta ideias.
Muito menos o conseguiremos por decreto, por imposição de um terceiro na confortável posição de utilizar meios alheios para fazer um brilharete, que tem de perceber não resolve nada de essencial a não ser alguns pequenos fogachos de contestação, devidamente amplificados, traduzidos e sem restrição de caracteres, vantagem que alguns de nós não possuem...
André Barreto, Gestor