Semana complicada para o nosso clube. Começa com um pedido de cessação das funções de treinador principal do Marítimo por Ivo Vieira, após mais um mau resultado num dos quatro dérbis que a presente temporada proporciona para o Marítimo e na sequência de uma série de “intempéries” que havia assolado a equipa (eliminação para a Taça de Portugal, a crescente indisciplina da equipa, etc.). Pelo que se sabia, esta vontade de Ivo Vieira era firme, pois no primeiro treino da semana na segunda-feira, “o treinador falou ao plantel, anunciando a sua demissão e que apenas era o treinador do Marítimo enquanto o presidente não encontrasse uma outra solução”. Que na base da decisão do técnico “estava a incapacidade para resolver a situação invulgar de indisciplina na equipa profissional”.

Entretanto, porque a vida não para, a semana foi correndo e, na ausência de grandes explicações e/ou resoluções visíveis, Ivo Vieira vai ministrando os treinos diários da equipa e preparando o jogo com o Sporting. Até lá as notícias davam certo que o Ivo asseguraria a transição para um novo responsável, podendo inclusive até estar no banco no sábado. Depois que sairia logo a seguir ao jogo até porque “o facto de haver clivagens entre alguns jogadores e o ainda treinador faz com que Ivo Vieira não tenha condições para permanecer no cargo” e que “estas divergências, segundo os responsáveis do clube, não iriam ficar sanadas perante uma eventual triunfo diante do Sporting”. Porém, logo no ‘flash interview’ após a partida, Ivo Vieira é bem cáustico ao afirmar que “alguns órgãos de comunicação da região passaram uma mensagem errada. Há alguns que só se sentem bem a atacar de pau e pedra. Foi bem evidente, no encontro de hoje, que o grupo está unido.

Nada me vai afetar apesar das notícias que circulam”, dando a entender que afinal até poderia continuar e que tudo isto não passava de especulação da comunicação social (o que confesso é algo que me faz uma confusão tremenda!). Agora, segundo parece – embora à hora que escrevo esta crónica aguardo confirmação oficial – Ivo Vieira vai mesmo permanecer como técnico principal da equipa do Marítimo.

Tive a oportunidade de comentar esta situação logo após a partida e durante a semana passada e então defendi que técnico, presidente e jogadores tinham que, em conjunto e em diálogo, encontrar uma solução para o que se passava no Marítimo. Se tal passaria pela saída do treinador ou por qualquer outra solução (castigos, afastamentos, o que fosse), esse era um problema que a administração, perante todos os naturais constrangimentos, teria que resolver da melhor maneira possível para o clube. Aparentemente a solução encontrada é a permanência do treinador. O que é algo que saúdo, desde que, efetivamente, os problemas que levaram a que Ivo Vieira tivesse apresentado a sua demissão estejam efetivamente resolvidos. Desde que esta decisão não tenha sido tomada apenas pelo bom jogo feito frente ao Sporting, que por manifesto azar não nos garantiu pelo menos um ponto. E desde que esta decisão não seja um varrer para debaixo do tapete, à espera de ver o que faz a equipa (e o seu treinador) no próximo jogo, se o Marega amua mais uma vez, se o Raul consegue acabar um jogo, se, se, se…

Tudo isto tem um custo para o clube e para todos nós. Mal ou bem, o somatório não deixa grandes lembranças: derrotas nos dois dérbis da temporada; 14 pontos em 12 jogos; eliminados da Taça de Portugal pelo Amarante. Espero muito bem que esta semana tenha servido efetivamente para limpar o que de mau se passava com a equipa e que catapulte o Marítimo para outros voos.

Luís Miguel Rosa, Advogado