Todos nós bem conhecemos mitos e lendas, alguns com origem em Portugal. Todos nós bem sabemos o mito da Atlântida, uma sociedade tão rica e evoluída no tempo que até os deuses a invejavam, ou a lenda de D. Sebastião, o salvador. Recordemos também a mais nobre das lendas, o Milagre das Rosas. Na Madeira, estas lendas têm a sua própria versão, que não é tão romântica, nem tão esplendorosa como os contos nacionais. Não conhecemos quem foi o seu autor, mas conhecemos bem o resultado da regionalização destas narrativas por parte do PSD-M. A Madeira é governada há mais de 39 anos pelo PSD, partido esse que Regionalizou as várias lendas nacionais. Romantizou um total roubo aos madeirenses e às suas ilhas, com a promessa de chegar ao esplendor do que a Atlântida foi. O maior líder que esta região alguma vez conheceu, o grande líder, o primeiro da sua dinastia, governou com a ideia de que éramos descendentes do povo da Atlântida, os Atlantes, intitulando-os como Povo Superior. Uma terra de lendas, uma terra de promessas, uma terra que nem se vê através do binóculo. Uma terra que se alimenta de mitos e lendas para esquecer os problemas reais. Uma terra que regionalizou as várias lendas de Portugal para continuar a eludir e a governar no mundo da fantasia. Uma terra onde o chamado grande líder, e a sua lenda de um dia transformar a Madeira na Atlântida perdida, foi deposto. Foi deposto pela elite, entretanto formada pela delapidação da nossa ilha, uma elite que enriqueceu, não com a agricultura, nem com as pescas, não com a indústria, não com a tecnologia, não com o turismo, não com a propriedade intelectual, ou com qualquer outra forma empresarial, mas sim com o Governo e à custa dos madeirenses. Essa elite, que entretanto apropriou-se de uma outra lenda, para se legitimar, a lenda do D.Sebastião, corporizada por D. Albuquerque, na esperança de que regressaria um dia, numa manhã de nevoeiro, para salvar a Região de todos os seus problemas. A lenda que, mais uma vez, o povo acreditou e ainda espera que se concretize, a lenda que mais uma vez iria levar a Madeira ao seu pleno, de novo se esmoronou. Ficaram as promessas e o sonho. A lenda do Salvador, que afinal continua a ser só uma lenda para os madeirenses, o salvador que afinal só se salvou a si, aos seus e à sua Quinta das Rosas. A regionalização das lendas e mitos não teve o romantismo pretendido. Realmente podem chamar a Madeira de Atlântida, mas porque também afundámos, estamos bem no fundo - mas não foi por um grande terramoto, mas sim por uma governação social-democrata sem rumo. Continuamos com os mesmos problemas e pelo que vimos até aqui, sempre que tentam resolver um problema criam mais dois ou três sobre o mesmo assunto. O Milagre das Rosas, esse sim foi bem regionalizado. Na Madeira existiu e existe o Milagre das Rosas, versão 2.0. Mas não no sentido nobre da sua lenda: as rosas não apareceram para esconder as esmolas para matar a fome do povo, as rosas apareceram para camuflar e esconder quintas, dívidas e fortunas do que foi roubado aos madeirenses ao longo de mais de 39 anos de governo PSD: as rosas são testas de ferro, empresas de fachada e contas offshore.
Olavo Câmara, Presidente da JS-Madeira