Esperemos que o PCP e o BLOCO não sejam traidores, e que o CDS ainda se lembre quem é Marcelo Começo este meu artigo com uma declaração de interesses. Gosto da seriedade de Maria de Belém Roseira, da Maturidade que tem, do conhecimento que tem do país no seu todo, dos contactos internacionais que são essenciais ao exercício do mandato presidencial e gosto mesmo muito da coragem que teve, enquanto ex-presidente do Partido Socialista e enquanto Mulher, de avançar contra tudo e contra todos para esta campanha. Não cedeu nem mesmo perante a oferta de, como a comunicação social disse, o lugar de Provedora da Santa Casa da Misericórdia, lugar honroso, ainda mais pare quem havia sido vice-provedora, mas que, se o aceitasse, implicava vender a sua liberdade. Para além disso, tenho que dizer que estou a colaborar na sua campanha eleitoral. Posto isto... Marcelo Rebelo de Sousa é o candidato natural de António Costa. Marcelo - perdoem a familiaridade - só avançou depois de lhe garantirem que António Guterres não avançava, de Rui Rio ter desistido, de saber que não havia qualquer candidato à “direita”. Marcelo nunca ganhou nada. Perdeu as eleições em que participou. Todas. Marcelo não é o candidato do PSD. Muito menos o candidato do CDS. Todos sabemos as animosidades entre o agora candidato e Paulo Portas. Marcelo, a ser eleito, tudo fará para eternizar uma solução de poder executivo que não o obrigue a lidar com o PSD que despreza e com o CDS que o incomoda. Marcelo não quer Passos Coelho e Paulo Portas de volta ao poder no seu mandato. Mas Marcelo tem outros problemas: é conselheiro de estado por nomeação pessoal do Presidente da República, isto é, por indicação de Cavaco Silva, aquele de quem diz agora o que diz e, ainda assim, não se demitiu de conselheiro de estado no momento em que assumiu a candidatura presidencial. É preciso ter regras de comportamento muito largas para assim proceder. E Marcelo sabe que só tem um adversário na corrida a Belém. Sabe que se Maria de Belém Roseira passar à segunda volta a sua eleição não está garantida. E, por isso, ou quer ganhar à primeira ou quer que Sampaio da Nóvoa passe à segunda. E se este for o caso Marcelo sabe que os moderados do PS votarão imediatamente em si e mesmo muitos eleitores de centro direita e direita que iam votar Maria de Belém não deixarão de impedir um radical livre, sem pensamento político e sem mundo instalar-se em Belém, radicalizando, ainda mais a possibilidade de um regresso ao PREC. Marcelo está a ser levado ao colo por alguns media. É natural, o Prof. é um dos media desde sempre. Até a foto da sede de candidatura já apareceu na capa do Expresso, como se fosse notícia, mas sem se dizer que todas as outras sedes eram na esquina oposta à do lugar que pretendia conquistar e nunca conquistou nenhum. Sampaio da Nóvoa é mais uma criação de Cavaco Silva. Fora do mundo académico quem o conhecia até ao discurso que Cavaco lhe pediu para fazer a 10 de Junho de há dois anos? Como discursa bem e tem, obviamente, um pensamento articulado, teve o mérito de avançar cedo e de conquistar para o seu lado alguns militantes do PS, que os media se apressam logo a dizer que são os principais quando o Secretário Gera do PS “deu liberdade de voto” e quando Maria de Belém Roseira tem a seu lado a grande maioria dos membros do PS que já muito deram ao País. Não percebi, sinceramente, a presença de Ramalho Eanes ao lado de Sampaio da Nóvoa. Aliás, alguns militantes socialistas e independentes que inicialmente apoiaram o candidato que assenta a sua base eleitoral no Bloco e no PCP estão agora a mudar de lado. Mas o perigo de Sampaio da Nóvoa - o candidato que se apelida de saca-rolhas e que diz que é importante ganhar as eleições para “reequilibrar”, seja lá o que isso quer dizer - entregar a presidência a Marcelo vem de outro lado. Vem de uma possível traição. Se o Bloco e o PCP traírem os seus eleitores e desistirem antes da primeira volta, declarando apoio a Sampaio da Nóvoa, aí sim, António Costa terá uma governação deliciosamente tranquila, Marcelo instalará em Belém um centro de comentários diários para as televisões e o PSD e o CDS terão eleito o seu maior “inimigo” para a cadeira do palácio cor de rosa. Esperemos que o PCP e o BLOCO não sejam traidores, esperemos que o CDS ainda se lembre quem é Marcelo Rebelo de Sousa, que Passos Coelho seja, como sempre foi, clarividente face a alguns militantes e que António Costa perceba que para dar uma governação ao país que dê tranquilidade aos cidadãos e a estabilidade que precisa para governar a candidatura que o PS, que todos conhecemos e que tanta falta faz à democracia, tem de apoiar é a de Maria de Belém Roseira. Um SANTO NATAL a todos. António Cunha Vaz
Esperemos que o PCP e o BLOCO não sejam traidores, e que o CDS ainda se lembre quem é Marcelo
Começo este meu artigo com uma declaração de interesses. Gosto da seriedade de Maria de Belém Roseira, da Maturidade que tem, do conhecimento que tem do país no seu todo, dos contactos internacionais que são essenciais ao exercício do mandato presidencial e gosto mesmo muito da coragem que teve, enquanto ex-presidente do Partido Socialista e enquanto Mulher, de avançar contra tudo e contra todos para esta campanha. Não cedeu nem mesmo perante a oferta de, como a comunicação social disse, o lugar de Provedora da Santa Casa da Misericórdia, lugar honroso, ainda mais pare quem havia sido vice-provedora, mas que, se o aceitasse, implicava vender a sua liberdade. Para além disso, tenho que dizer que estou a colaborar na sua campanha eleitoral. Posto isto... Marcelo Rebelo de Sousa é o candidato natural de António Costa. Marcelo - perdoem a familiaridade - só avançou depois de lhe garantirem que António Guterres não avançava, de Rui Rio ter desistido, de saber que não havia qualquer candidato à “direita”. Marcelo nunca ganhou nada. Perdeu as eleições em que participou. Todas. Marcelo não é o candidato do PSD. Muito menos o candidato do CDS. Todos sabemos as animosidades entre o agora candidato e Paulo Portas. Marcelo, a ser eleito, tudo fará para eternizar uma solução de poder executivo que não o obrigue a lidar com o PSD que despreza e com o CDS que o incomoda. Marcelo não quer Passos Coelho e Paulo Portas de volta ao poder no seu mandato. Mas Marcelo tem outros problemas: é conselheiro de estado por nomeação pessoal do Presidente da República, isto é, por indicação de Cavaco Silva, aquele de quem diz agora o que diz e, ainda assim, não se demitiu de conselheiro de estado no momento em que assumiu a candidatura presidencial. É preciso ter regras de comportamento muito largas para assim proceder. E Marcelo sabe que só tem um adversário na corrida a Belém. Sabe que se Maria de Belém Roseira passar à segunda volta a sua eleição não está garantida. E, por isso, ou quer ganhar à primeira ou quer que Sampaio da Nóvoa passe à segunda. E se este for o caso Marcelo sabe que os moderados do PS votarão imediatamente em si e mesmo muitos eleitores de centro direita e direita que iam votar Maria de Belém não deixarão de impedir um radical livre, sem pensamento político e sem mundo instalar-se em Belém, radicalizando, ainda mais a possibilidade de um regresso ao PREC. Marcelo está a ser levado ao colo por alguns media. É natural, o Prof. é um dos media desde sempre. Até a foto da sede de candidatura já apareceu na capa do Expresso, como se fosse notícia, mas sem se dizer que todas as outras sedes eram na esquina oposta à do lugar que pretendia conquistar e nunca conquistou nenhum. Sampaio da Nóvoa é mais uma criação de Cavaco Silva. Fora do mundo académico quem o conhecia até ao discurso que Cavaco lhe pediu para fazer a 10 de Junho de há dois anos? Como discursa bem e tem, obviamente, um pensamento articulado, teve o mérito de avançar cedo e de conquistar para o seu lado alguns militantes do PS, que os media se apressam logo a dizer que são os principais quando o Secretário Gera do PS “deu liberdade de voto” e quando Maria de Belém Roseira tem a seu lado a grande maioria dos membros do PS que já muito deram ao País. Não percebi, sinceramente, a presença de Ramalho Eanes ao lado de Sampaio da Nóvoa. Aliás, alguns militantes socialistas e independentes que inicialmente apoiaram o candidato que assenta a sua base eleitoral no Bloco e no PCP estão agora a mudar de lado. Mas o perigo de Sampaio da Nóvoa - o candidato que se apelida de saca-rolhas e que diz que é importante ganhar as eleições para “reequilibrar”, seja lá o que isso quer dizer - entregar a presidência a Marcelo vem de outro lado. Vem de uma possível traição. Se o Bloco e o PCP traírem os seus eleitores e desistirem antes da primeira volta, declarando apoio a Sampaio da Nóvoa, aí sim, António Costa terá uma governação deliciosamente tranquila, Marcelo instalará em Belém um centro de comentários diários para as televisões e o PSD e o CDS terão eleito o seu maior “inimigo” para a cadeira do palácio cor de rosa. Esperemos que o PCP e o BLOCO não sejam traidores, esperemos que o CDS ainda se lembre quem é Marcelo Rebelo de Sousa, que Passos Coelho seja, como sempre foi, clarividente face a alguns militantes e que António Costa perceba que para dar uma governação ao país que dê tranquilidade aos cidadãos e a estabilidade que precisa para governar a candidatura que o PS, que todos conhecemos e que tanta falta faz à democracia, tem de apoiar é a de Maria de Belém Roseira. Um SANTO NATAL a todos.
António Cunha Vaz