Graziela Camacho Sentada na minha já velhinha cama, olho através da janela.

Um nevoeiro molhado apenas deixa ver lá ao fundo o mar também ele enevoado e os telhados das casas, ao longe, chorando.

É que uma chuva miudinha lá vai caindo, deixando nas vergas da varanda, bolinhas de água todas alinhadinhas quais cristais , lembrando o Natal que passou.

2015 vem caminhado para o fim. Também ele trouxe tempos de nevoeiro em nossas vidas em paralelo com réstias de sol. É o ciclo da caminhada, desta caminhada, dádiva de valor incalculável de quem nos quer tanto bem.

Continuo olhando através da janela e penso em ti:

• Em ti, para quem o sol andou um pouco ausente • Em ti, que tens por almofada a pedra dura de alguns prédios • Em ti, que sofres em silêncio o «descartar» dos que te são tão queridos • Em ti, que mitigas a dor e a solidão com uma golfada de vinho de pacote ou com um inspirar de algum pó que te faça esquecer, por momentos, a tristeza • Em ti, para quem a vida trouxe nevoeiros intensos e a chuva molhou o teu ser • Em ti, de olhar baço, onde uma lágrima teima em cair e tu não a deixas E peço para ti: No ano de 2016 e nos que hão-de vir, onde também tu, através de uma janela e no conforto de um lar, tenhas: • Muita luz na caminhada • O pão de cada dia • O carinho dos que, silenciosamente, guardas no teu coração • Um olhar de esperança, de amor e de verdade • Um acreditar que vale a pena viver • Uma palavra de gratidão pelos pequenos/ grandes gestos que fazem a diferença.

Que o Senhor te abençoe! Com muito carinho