É usual, por esta altura, a comunicação social entreter-se, á falta de outra coisa, com esta matéria de escolher a figura do ano, em Portugal, e até fora dele, razão que já levou a uma certa unanimidade, cá pelo continente português, a escolher o actual primeiro ministro, graças aos seus esforços, conseguidos de formar governo tendo perdido as eleições … embora perder seja bem diferente daquilo que aconteceu. Seja como for, hoje, dia do meu aniversário, e curiosamente dia de aniversário do Dário de Noticias continental, dou comigo a matutar sobre o assunto e recordei-me que precisamente há 1 ano atrás, nesta minha data aniversaria aconteceu algo, na Região Autónoma da Madeira com enorme significado. Foi precisamente a 29 de Dezembro de 2014, que Miguel Albuquerque conseguiu o que mais nenhum português tinha alcançado – acabar com o ciclo jardinista e com tudo quanto representava. A invencibilidade do homem só não sai beliscada, porque receando o que se adivinhava Alberto João Jardim (AJJ) saiu de cena por “motu próprio”. Miguel Albuquerque, foi de resto o primeiro político a contrariar AJJ quando contra ele concorreu, internamente, no PSD regional, em Novembro de 2012. Nessa altura perdeu por escassos votos e o “jornal de caserna” suspeitava que uma chapelada tinha ocorrido. Por mero acaso eu encontrava-me nessa altura na Madeira e acompanhei, pelos jornais o assunto. Mas Miguel Albuquerque não se convenceu com esse resultado, e vai daí em 2014, no dia 19 de Dezembro volta á carga, e desta vez logra passar á segunda volta, em 29 de Dezembro de 2014 e então sim a cereja era dele. E de quem o acompanhava também. O ineditismo desta caminhada seria o suficiente para fazer de Miguel Albuquerque a figura do ano na Região Autónoma da Madeira, em 2014. Mas, imparável, o que realmente fáz de Miguel Albuquerque a figura do ano em Portugal, neste 2015 que se finda, são, em apenas alguns meses, todos em 2015, as 2 vitórias que obtém como líder do PSD Regional, a primeira são as regionais, em 29 de Março, que vence com maioria absoluta, e a segunda são as legislativas, em 4 de Outubro, vencendo o círculo da Madeira para o PSD. Miguel Albuquerque, ao contrário de AJJ, começou pelo Poder Local a construir uma imagem de marca, consolidando com uma governação local largamente apreciada pela população, traduzida nos expressivos resultados obtidos eleição a eleição, ao ponto do PSD com Miguel Albuquerque obter mais votos, para a edilidade do Funchal, do que o PSD com AJJ para as regionais, facto gerador de receio e animosidade lá para os lados da quinta vigia, que ultimamente já não conseguia esconder o incómodo de ter no Funchal um “enfant terrible”. Esse incómodo agravou-se substancialmente, para AJJ, quando lá para os lado do norte da Madeira um outro politico em ascensão vertiginosa se revelava, pela sua capacidade de adaptação e aprendizagem … . Pelo meio, ainda eu estava na Madeira, o vice- presidente do executivo regional, Cunha e Silva, “compra” um desaguisado com Miguel Albuquerque, então Presidente da Câmara Municipal do Funchal, de cuja notícia os órgãos de comunicação regionais não deixaram de dar relevo, com auditorias pelo meio de um sobre o outro, e no fim, para não se partir o verniz, lá saiu uma da cartola e ficou tudo em “águas de bacalhau”, mas Miguel Albuquerque não vergou, e saiu-se bem da contenda. Maquievel teorizou que o “bom Princípe” era aquele que sabia escolher os seus secretários, numa linguagem actual, significa que o bom líder é aquele que sabe escolher a sua equipa … e aqui estará o sucesso ou insucesso deste homem de sucesso, sem mácula, afinal a figura do ano de 2015.

António Oliveira Dias Politólogo