Na região, como no resto do país, temos uma população envelhecida e um tecido social fragilizado, também na decorrência dos anos de austeridade que temos vivido, a quem numa esmagadora maioria dos casos apenas resta a possibilidade de acorrer aos cuidados médicos que são prestados pelo sector público, pois os rendimentos já nem dão para os remédios quanto mais para as consultas no privado.

O Estado assistencialista é isso mesmo, prover, principalmente, aos que menos podem, aquilo que a constituição estatui e o dever de solidariedade impõe.

Desde o início dos anos noventa que a edificação de um novo hospital tem vindo a ser ponderada, mas apenas isso, nunca uma decisão consequente foi levada à prática, antes, foram sendo construídas narrativas que o foram adiando.

Como se entende, não só um hospital não se projeta de um ano para o outro, como não se constrói em dois ou três. Temos, por isso de deitar mãos à obra. Não podemos continuar a enterrar dinheiro no hospital já existente, em obras que não passam de enxertos, que podem até mitigar determinados efeitos no presente mas que jamais corresponderão às necessidades do futuro.

O preço do novo hospital será, para o contribuinte, o somatório do que ele próprio custar, mais ou menos 250 milhões de euros, ao que acresce o que continua a ser gasto em obras no Hospital Dr. Nélio Mendonça e ainda os custos imensuráveis de não termos uma estrutura moderna capaz de dar uma resposta rápida e de qualidade ao utente.

Como está bom de ver a edificação, de raiz, de uma estrutura desta natureza de pouco servirá se a montante não estiver uma estratégia bem definida, que identifique claramente o tipo de cuidados de saúde que nela devem ser prestados, as valências que deve ter e se defina a inter-relação pode e deverá ter com a própria Universidade da Madeira.

A articulação dessa nova estrutura com a Rede de Centros de Saúde bem como com a Rede de Cuidados Continuados e até com outras instituições de direito privado que têm gerado importantes sinergias nesta área é um imperativo que não pode ser descurado.

Na própria estratégia de diversificação da economia regional, o turismo ligado à saúde tem um papel importante a desempenhar pelo que o novo hospital deverá estar à altura dessa resposta a qual poderá representar uma importante fonte de autofinanciamento.

Assim, parece-me absolutamente desejável que ponham de lado as “partidarites” e coloquemos os interesses da Região e dos seus habitantes acima de tudo contribuindo, cada Partido, com as suas influências nacionais para que possamos, de uma vez por todas, passar o novo hospital do papel à prática, porque mesmo que as coisas corram bem, dificilmente teremos um novo hospital a funcionar nos próximos 10 anos.

Jaime Leandro, Líder parlamentar do PS-M