Um dos custos da insularidade é a limitação das formas de transporte comercial de ligação que ficam reduzidas a duas, pelo ar e pelo mar. Não existem auto-estradas que ligam o Funchal ao Continente, nem um comboio alfa-pendular com ligação Lisboa-Funchal.
Este facto traz desafios acrescidos, obrigações e responsabilidades por parte dos agentes de transporte aéreo e marítimo. As empresas e as pessoas que vivem na Madeira dependem destas ligações para os seus negócios e para o consumo.
No entanto, é nesta época festiva tradicionalmente forte com os nossos costumes e tradições e onde se assiste a um pico de consumo e de procura de bens, que assistimos a uma situação que nos afeta a todos: a greve dos senhores do Porto de Lisboa que se arrasta há sensivelmente um mês e que se vai prolongar até Janeiro de 2016.
Fala-se do abandono daquele porto por operadores logísticos internacionais como a MAERSK, mas ainda não se falou de uma consequência da greve. O abastecimento às ilhas da Madeira e dos Açores.
Parece-me uma situação “abusiva” e de falta de respeito que deve ser denunciada. E é para mim um espanto que o governo ainda não tenha tomado medidas para resolver este problema gravíssimo.
Nada me move contra os trabalhadores do Porto de Lisboa. Todos temos direito à greve , devidamente fundamentada, mas nós estamos nas ilhas! Não estou certo que percebam que não comemos nem bebemos por fibra ótica. E que peças fabris, alimentos ou cimento, por exemplo, não chegam à ilha por teletransporte, para não ser mais radical nas observações.
Não sei o que querem os senhores do Porto de Lisboa. Precisamos de manter as linhas de abastecimento às ilhas, elas são vitais para nós e para a nossa economia regional. Uma vez que só podemos ser abastecidos por avião ou barco, é numa das épocas de maior tráfego que se decide limitar essas opções, com as consequências que tal acarreta para os negócios e para as vidas das pessoas? Somos todos Portugueses e é com mágoa que se vê uma grande falta de solidariedade para com as ilhas. Julgo que não há a perceção dos danos que estão a ser causados.
Hoje falava com um grande amigo que tenho em Porto Santo, o Pedro do “Bar do Henrique” que também demonstrava sua indignação. Uma indignação partilhada por muitos numa época que deveria ser de solidariedade.
A área de distribuição alimentar tudo tem feito para resolver os problemas de abastecimento, assim como os operadores logísticos na Madeira, de forma a que esta greve não tenha reflexo nos consumidores. Mas não podemos ser os únicos a trabalhar por uma solução.
A todos um excelente 2016 com muita saúde trabalho e tudo de BOM!
Duarte Agrela