Já fez um ano que escrevi o meu último artigo publicado no Diário – uma colaboração interrompida, por razões, estritamente pessoais - em que abordei o tema da inesgotabilidade de “parvoidades” ou banalidades, tema que, decorrido todo este tempo, longe de se ter esgotado, continua, como tantas vezes se diz, a deixar sobras de muito pano para mangas....
Dentre as banalidades que vão acontecendo, nomeadamente, no sector da ‘política’, vem a propósito registar, a lufada de ar fresco que foi a nomeação de Miguel de Albuquerque, para a chefia do Governo da RAM, dada a circunstância de o antecessor, Alberto João Jardim, após 37 anos no exercício do cargo, ter entendido que era tempo de se retirar da cena política. Como foi já notícia, terminado que foi o exercício da função, o Presidente da República, em reconhecimento do interesse e da dedicação de Jardim, atribuíu-lhe a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, pelos serviços prestados à Nação, não obstante algumas reservas, porventura menos justas, de determinados sectores, a que porventura também, faltará o direito de, fundadamente, contestar uma tal honraria.
De âmbito mais geral, a nível nacional, não pode deixar de registar-se, o que foi a enorme ‘viragem’ que se deu no país, subsequentemente às eleições legislativas de 4 de Outubro e à nomeação – para formar o XXI Governo Constitucional de Portugal – do Dr. António Costa, Secretário-Geral do PS, partido que, com apenas 32% dos votos, perdeu as eleições para a coligação PSD/CDS que conseguiu 37%. Como bem se entende, António Costa, com uma evidente ânsia pelo poder, mercê de uma mirabolante coligação pós-eleições, acentue-se, com partidos minoritários da extrema esquerda, uma habilidade contranatura que seria impensável acontecer, quando à frente do PS estiveram, por exemplo, Mário Soares ou António Guterres, cuja dignidade, de qualquer deles, bem os diferencia de António Costa.
Dentre muitas outras “banalidades”, ao longo de todo este tempo que estive ‘ausente’, não seria correcto deixar sem assinalar duas delas, em que o PS e os seus dirigentes terão dificuldade em das mesmas se apartar:
1. A colagem do PS à extrema esquerda, nas votações favoráveis de todo o esquema relacionado com a homossexualidade, desde a legalização da ‘união de facto’ – impropriamente, rotulada de ‘casamento’ – até, mais recentemente, a tão badalada adopção de crianças por individuos do mesmo sexo, ainda que vivendo em união de facto – situações que justificam um ajustamento adequado, como a esse mesmo propósito, escrevi no meu artigo «Externalidades-II» publicado no Diário de 5.1.14, em OPINIÃO: «... Quanto às questões em redor da pessoa humana, parece recrudescer a sensação de estar a caminhar-se para a destruição de certos valores, para que importa alertar. Recentemente, foi notícia a discussão a nível do Parlamento Europeu que, avisadamente, rejeitou, um projecto cujo objectivo dir-se-ia ser a gradual destruição dos direitos da Mulher e da Criança, numa tentativa de, por assim dizer, indiscriminadamente, liberalizar a prática desregrada do aborto, sem respeitar a defesa da dignidade do embrião humano. Nessa mesma ordem de ideias, importa que a discussão que está também aberta, numa campanha a favor da chamada igualdade de género, que ignora a questão da formação e defesa da família, que tem na base o resultado da união entre um homem e uma mulher, rejeitando liminarmente a homossexualidade e por maioria de razão, a adopção de crianças, por pessoas do mesmo sexo, vivendo em união de facto ou equiparável...».
2. A detenção do ex-Primeiro Ministro socialista, José Sócrates, que continua a ser um grande incómodo para o PS, que dispensa quaisquer comentários ou detalhes especulativos – um sério embaraço para António Costa que, mantendo o devido recato, se coibe de falar no assunto.
Francisco Leite Monteiro