Na espuma das questões que se discutem no dia a dia perdemo-nos nas borbulhas que vão rebentando e não vemos o que corre debaixo da mesma. E isso é o que interessa, a substância. A Madeira tem muitos desafios pela frente e, numa altura de escassez financeira, depois de um governo que construiu o que devia e o que não devia, importa distinguir o que é essencial do acessório. Existem dois projetos de obras públicas que devem ser assumidos como prioridade, decididos a curto prazo e fundamentais para o longo prazo: o novo hospital e o prolongamento da Pontinha. Vamos ao novo hospital. Há total unanimidade na sociedade e nas forças partidárias relativamente a esta matéria. Pelo menos é o que todos dizem. Se assim é, não se compreende porque é que o Governo Regional anda a fugir, como popularmente se diz, com o “rabo à seringa”. Primeiro criou-se um grupo de trabalho independente para concluir o que era obvio: a necessidade de um novo hospital e a sua urgência. Este Governo que, não tem tido muita saúde, visto que já vai em dois Secretários Regionais nesta área da governação, já avançou com diversos tempos para o hospital: 20 anos, 8 anos, 7 anos. O orçamento da RAM para 2016 não contempla verbas que permitam avançar com a obra e não há definição oficial quanto ao local e ao modelo, pois o próprio Secretário da Saúde, na Assembleia Legislativa da Madeira, disse que na sua opinião, como bem frisou não vincula o Governo Regional, a localização deveria ser em Santa Rita e o modelo de gestão totalmente público. Resta saber se esta será a posição do Governo ou apenas a sua opinião… Sendo este um assunto de interesse de todos, deveria o Governo Regional estabelecer um cronograma e uma calendarização do que fazer, a começar por: definir a localização, estabelecer que projeto se quer e o que se pode aproveitar do está feito (é necessário lembrar que já foram gastos cerca de 5 milhões de euros no projeto e em expropriações), orçamentar, conseguir que seja considerado “Projeto de Interesse Comum”, e finalmente, obter fontes de financiamento. O que precisamos mesmo é que o governo comece a tomar decisões e a trilhar um caminho. Quanto à segunda obra, a de aumento do molhe da Pontinha, parece-me que é por demais necessária, nomeadamente pela importância que o turismo de cruzeiros tem para a Região, em geral, e para o Funchal, em particular. É por todos conhecido o problema de operacionalidade do cais 8, depois do cancelamento e inviabilidade de escalas de navios por falta de condições para atracar. É demasiado pequeno e acima de tudo fica demasiado exposto às condições marítimas. Neste assunto, tal como em tantos outros, o atual Presidente do Governo só tem de ser coerente com as suas posições enquanto Presidente da Câmara Municipal do Funchal, e programar a obra. Isto ante a necessidade, como afirmou ao Diário de Noticias em 13 de abril de 2011, de “salvaguardar o interesse do Funchal, na salvaguarda de pessoas e bens e na maior eficácia e segurança da nossa cidade”. A própria Câmara, apresentou na altura estudos técnicos, que iam no sentido do prolongamento do molhe da Pontinha, apontando-se um valor de 42 milhões de euros. O que falta agora é planear e executar esta obra estrutural para a cidade do Funchal e para a Madeira. Acerte o Governo Regional o passo.
Paulo Cafôfo Presidente da Câmara do Funchal