Com este título foi publicado uma nota do gabinete de imprensa do PCP a 5 de Janeiro de 2013, que transcrevo parcialmente. «É inaceitável que precisamente no momento em que é promulgado o Orçamento de 2013 (…) que contempla um brutal aumento de impostos, com o argumento de que o País precisa reduzir o défice das contas públicas através da redução da despesa do Estado, o Governo negoceie com a administração do BANIF uma operação financeira de recapitalização do banco com dinheiros públicos». Enfatizava essa nota «que se tratava de um autêntico brinde de Natal oferecido em bandeja de ouro aos accionistas do BANIF, os mesmos que durante anos sacaram centenas de milhões de euros de lucro do banco». Embora Jerónimo não seja economista, o colectivo do PCP dizia que só na primeira década do novo milénio este banco teve lucros líquidos de 508,4 milhões de euros e entregou aos seus accionistas dividendos de 216 milhões de euros ( 41% do total de lucros) o que é muito dinheiro para um banco da dimensão do BANIF. Em Janeiro de 2013, o valor da cotação do banco era de apenas 83 milhões, mas o Estado decidiu injectar 13,3 vezes esse valor. O banco que depois de ter encerrado 17 balcões em 2011 e despedido mais de 120 trabalhadores, anunciava em 2013, encerrar mais 50 balcões com o despedimento de mais 160 trabalhadores. Passaram 3 anos. O BANIF lançou no mercado milhões de acções a preço baixo, que levou alguns ingénuos acreditaram que com aquele valor iriam ver os seus rendimentos aumentarem… As poupanças nessas acções foram transformadas em perdas enormes! A táctica política foi brilhante, e Portugal teve uma saída «limpa» da Troika. Os cidadãos, agora conhecidos como contribuintes, terão os seus bolsos mais limpos, com as tais perdas de cerca de 4 mil milhões de euros, ou seja o equivalente ao custo de 18 novos Hospitais como o que a Madeira precisa!. O dinheiro voou. O povo pagou. Alguém está cheio e ninguém vai preso diz o povo, como aconteceu na Islândia terra com uma população semelhante á da Madeira onde 26 banqueiros foram condenados. Em Portugal brincar com o dinheiro público não é escandaloso, é um «desporto» nacional, premiado com medalha de ouro e comenda presidencial.
Dírio Ramos