Já sei o que vou ler do meu colega de página: a 4ª vitória consecutiva em casa do Nacional em confrontos com o Marítimo, que já lá não vence desde a época 2007/2008. E sim, a última vitória verde-rubra dista há quase 3 anos. É o que se ouve de qualquer nacionalista atento. E, fazendo as contas, acaba por ser justo.
Dentro de campo, em confronto directo, o Nacional tem sido melhor e mais competente que o Marítimo. Os números não mentem e são bem claros. Claro que se o futebol fosse apenas matemática estávamos conversados. Mas não o é, e se estes embates servem para encher o reportório das ‘disputas’ entre adeptos, não se transmitem automaticamente para o crescimento dos clubes. E nesse ponto o Marítimo continua a marcar o passo institucional dos clubes da Madeira. E continua a ser o maior.
Quanto ao jogo na Choupana, um ponto assente: tivesse o Marítimo conseguido jogar com onze na segunda parte, poucas dúvidas tenho que teríamos alcançado os três pontos. Se a primeira parte praticamente só deu Marítimo, mesmo com o cruzamento abençoado do defensor nacionalista, a segunda metade ia pelo mesmo caminho. Mas pouco depois veio ao de cima a natureza suicida desta equipa, com a dupla burrada do Raúl a mudar o sentido do jogo. A partir daqui só deu Nacional.
E aqui tenho de ser honesto: não percebo qual o critério que o Ivo Vieira utiliza para tratar os seus jogadores. Se em Amarante Marega foi o ‘bobo da festa’, ao qual foi imputada toda a responsabilidade pelo desastroso desaire, não consigo perceber como é que não foram chamados ao prego, nesse jogo Dirceu e agora Raúl, já que as suas ações individuais também prejudicaram a equipa e foram determinantes para o resultado final. Pior ainda é a forma escolhida. A quente, em direto e ao vivo, sem salvaguardar a integridade do grupo e do próprio jogador! Afinal tratou-se apenas de um jogo e não podemos esquecer que Marega já foi decisivo nas vitórias. São estas situações que se resolve com internamente, uma multa e a disponibilidade para o jogador limpar a sua imagem e cabeça nos jogos seguintes.
Fazer o contrário não é inteligente e demonstra algum desnorte perante estas situações negativas. E isto passa para a equipa.
São 12 expulsões em 15 jogos. Dez no campeonato, duas na Taça de Portugal. Se isto não é recorde de certeza que andará lá perto. Nunca vi um registo destes. Ivo Vieira explica-se defendendo que “são comportamentos momentâneos que não consigo controlar estando de fora do jogo” (sic). Se ele não consegue, quem conseguirá? Temo francamente que o nosso treinador tenha perdido a mão nos seus jogadores e que tudo a que assistimos jogo após jogo seja uma consequência da falta de entendimento e comunicação. Foi o próprio Ivo Vieira que disse após o jogo da Taça que os jogadores fizeram tudo menos o que ele tinha pedido. Eu como adepto confesso que estou muito preocupado! Pela falta de respeito dos jogadores, pela incapacidade de virar o disco pela equipa técnica. Algo tem de ser feito. Como está é que não pode continuar.
Uma reflexão final a umas quantas confusões que surgiram com adeptos do Marítimo na Choupana. Sem puxar a brasa a qualquer sardinha, não posso deixar de fazer notar que não há futebol ou equipa que resista sem adeptos. São estes a massa, o núcleo e a força de qualquer agremiação. É por estes, pela sua vontade e pelo seu número, que o Marítimo é o maior clube da Madeira e arredores. Títulos ajudam é certo mas, e utilizando como mero exemplo, não é por acaso que o Benfica, que nos últimos 15 anos “apenas” ganhou 4 campeonatos, se arroga como o maior clube português e um dos maiores do mundo. Tem o peso da maioria dos seus adeptos. Não se gosta da cultura, do aspeto, da rudeza? Azar. Une-nos a todos o Marítimo! Fica a nota para que nenhum adepto verde-rubro seja ignorado ou vilipendiado sem direito a defesa e sem o reconhecimento que o clube lhe deve.
Luís Miguel Rosa