É humano, no meio de dificuldades, agarrar-se a frágil bóia, que nos salve a pele. Parece-me ser o caso de comentadores desportivos profissionais dos vários canais TV do “lado de lá”. Vai daí, toca a desancar na Madeira. Primeiro, classificaram de absurdo (eu ouvi) três equipas na Liga Nos. Provavelmente defendem, o numerus clausus, o critério de entrada nas Universidades. Mas aí o que prevalece é o mérito e não o local onde se vive. Lá por um individuo nascer num combóio não quer dizer que venha a ser revisor da CP. União teve competência, cumpriu as regras definidas e está com mérito na competição maior. Gostemos ou não. O mais recente “ataque colonialista” centra-se no local do Estádio da Madeira. Que não pode ser, que tem de se jogar mais a baixo, que prejudica os Clubes Grandes por terem competições europeias…e mais asneiras. Significa que apenas colide com os interesses de 8,33% dos clubes da LIGA. Convenhamos que se trata de um resultado demasiado justo, em democracia, se comparado com os variados resultados eleitorais. Ora, vamos lá saber: A Madeira é uma parcela de território Português, Estado uno e indivisível conforma a Constituição da República. O Estádio vistoriado e aprovado, pela FPF, LIGA e UEFA, cumpre os requisitos exigidos nas suas competições. A sua segurança física não está em causa, a meteorologia é com S. Pedro. Chuva, vento, nevoeiro, embora com muitos esforços, são fenómenos da natureza não controlados pelo homem. Por essa razão tem a FPF, LIGA, UEFA, FIFA regulamentação para resolução de situações anormais, digo excepcionais, tipo o caso presente. Julgo que a montanha pariu um rato. Tanta polémica e afinal apenas um jogo não se realizou na própria jornada, o União-Benfica. Nacional-Porto realizou-se. Ficar mais uma noite na Madeira é assim um problema de lesa futebol? Um treinador forasteiro até quer viver na Madeira! Sei que meteram tudo no mesmo “saco”, roçando comentários intelectualmente desonestos, mas o adiamento do União-Porto nada teve a ver com o Estádio da Madeira. Quando dá jeito até o diabo lê as escrituras. Conclusão: numa época desportiva não foi possível realizar um jogo. Nos mais de 400 jogos realizados no Estádio da Madeira, desde 1996, cerca de 1% foram adiados. Imaginemos as percentagens de voos não conseguidos, não apenas no aeroporto da Madeira mas em todo o território português e demais locais do mundo, por causa da meteorologia e teremos resultados interessantes. E não andamos a discutir fechos e mudanças de aeroportos. Resquícios colonialistas, com alguns requintes de malvadez que a Madeira ainda sofre. Ouço-os, os mesmos, criticar a União Europeia por não cumprir com Portugal um dos objectivos da sua génese, a solidariedade. Mas, dentro de portas, já não consigo entender quem é separatista, se os de cá, se os de lá. Não alinho na teoria do “povo superior” nem em teorias conspirativas contra madeirenses, mas agachado nunca. E tenho muito orgulho em viver numa Ilha, considerada recentemente, o melhor destino Insular Mundial. Deverão andar distraídos. Divirtam-se nas missas do parto, nos convívios de amigos, a festa é nossa. Vou fazer o mesmo. Bom natal.
Francisco Costa Técnico de Arbitragem