Jorge Martins Continua em desespero de causa esta nossa desorientada direita, umas vezes em tom piegas, outras choramingas , ainda outras em tom de desespero e, por fim, porque se não permita entendê-lo doutro modo, espumando de raiva, lembrando os tempos da falange ou de Llorca em que secomeçava pelos anarquistas, se continuava por comunistas, socialistas , democratas e, finalmente, o padre, que não se tendo preocupado com o destino dos outros, eram os ímpios, agora nâo havia ninguem que com ele se preocupasse. No entanto, não entendo, ou porventura, entendo-os em demasia, aos que apelam ao fim da crispação política, o que me parece, manobra dos assessores da direita, que já perceberam que a linguagem troglodita à qual voltou quando se apercebeu que tinha perdido o poder, só reforça a união da esquerda e, por tal, é totalmente recomendável. Mas , mudemos de assunto e falemos do que agora também interessa, as presidenciais.
Temos como candidato unânimemente, apoiado e desde há muito levado em ombros pela comunicação social, como se de candidato único se tratasse, Prof. Marcelo, com qualidades histriónicas e comunicacionais ímpares, penetrando em todos “os eleitorados”, representando o anti-Cavaco, e por isso o preferido pelo povo, segundo todas as sondagens, tendo obrigado a direita (PPD) e a direita radical (PP) a “aconselharem”, a contragosto, o voto. Temos o” Cavaco de esquerda”, Prof. Sampaio da Nóvoa, embora com excelente, elaborado, denso e profundo o torna, ao comunicá- lo, inexpressivo e maçador, enfim , bom conteúdo com péssima forma. A Dra Maria de Belém, que repreenda o centrão, hoje, graças à radicalização da direita , quase inexistente, como se viu naquela sublevação abortada que ficará conhecida como “a leitonada” com todo o seu rol de política nebulosa , de compromissos por detrás da cortina, de compadrios, do conúbio público/privado. Edgar Silva, que representa o PCP e, tão só é Marisa, que não sendo, como parece óbvio, o anti-Cavaco, é a trincheira do anti- cavaquismo , como modo de interpretação do fenómeno político e social, faltando- lhe, tão sómente, base de apoio sustentável para se alcandorar a uma segunda volta.
Assim é tendo como facto que o povo não quer um Cavaco de sentido contrário, antes preferindo um anti-Cavaco, parece-me muito provável a eleição daquele que é o único reconhecido à meses pela comunicação social, calando ostensivamente aquele que se tem vindo a esforçar por esclarecer , clarificando, o seu posicionamento com enorme estoicismo é inegável qualidade, mas a quem falta, toda uma máquina de propaganda, é bom não temermos as palavras. É bom, no entanto, entendermos que uma vitória de Marcelo, pelas alterações que provocará no desenho dos partidos políticos, será, ao fim e ao cabo, benéfica , não para o PS., mas para António Costa e para o Bloco de Esquerda , permitindo, no entanto, uma nova experiência ao centro