A recusa em responder a questões essenciais sobre o funcionamento do serviço regional de saúde por parte do senhor secretário regional João Faria Nunes, aquando no debate potestativo sobre o novo hospital da Madeira levanta, inclusive, uma situação de encobrir a realidade com o silêncio. É claro que o novo hospital da Madeira constitui a obra estratégica para a Região. Todavia, permanece de todo o interesse uma discussão séria sobre as falhas, por exemplo, nos cuidados básicos de saúde, com especiais impactes sobre a qualidade de vida dos cidadãos, uma das principais preocupações de um Estado de Direito. Falar de um novo projeto implica, necessariamente, uma abordagem séria sobre os serviços atuais, sobre as metodologias de gestão e de funcionamento. Além do problema das listas de espera, que se agoniza de dia para dia, sabemos inclusive que uma das máquinas de efetuar Ressonância Magnética existente no Hospital está avariada há mais de cinco meses. E persiste o problema de doentes Oncológicos com marcação de exames há mais de seis meses. Confrontado com este problema, o senhor secretário regional da Saúde (sublinhe-se este facto, pela extensão da área sensível que secretaria) optou pela recusa de resposta. Uma outra questão de suma importância, e que envolve as funções sociais e os cuidados de saúde assumidos como prioritários pelo Governo Regional PSD, prende-se com os tratamentos de oxigénio de mais de 200 utentes. Diversas queixas apontam para o facto deste serviço estar a ser pago pelos doentes (ao ritmo de 12 euros mensais), sem que os mesmos tenham sido avisados previamente. Temos conhecimento de casos de pessoas que têm solicitado o levantamento da respetiva máquina, por não terem capacidade económica para suportar esse encargo mensal. Novamente confrontado com o problema, o senhor secretário João Faria Nunes - tutelar da pasta da saúde que, nas suas intervenções sublinha o facto da “prevenção (ser) mais importante do que o tratamento da doença” - recusa responder. Ou não sabe. Ou sabe, e prefere manter o silêncio. O mais óbvio reside na tentativa de encobrimento da realidade visível, constatada pelos utentes, num serviço que desde que passou a ser administrado pela veia empresarial, toma as pessoas por números, e os números pela qualidade do serviço.

Élvio Sousa Deputado do JPP