Luís Gonçalves - Existe paz e entendimento nos hotéis entre o patronato e os funcionários? Dos muitos casos que se conhece, os entendimentos são à base de ameaças, pressões, chantagens, represálias. humilhações, imposição de sobrecarga de trabalho e por aí adiante. Paz é uma coisa e silêncio por medo é outra. Hajam mais inspecções e que se denuncie publicamente a podridão que se vive neste sector. Ou preferem continuar a varrer a poeira para debaixo do tapete e fingir que nada se passa? - É necessário actualizar o Contrato Colectivo de Trabalho? Pois claro que sim. O tempo não para e a hotelaria muito menos. Mas é para modernizar ou para regressar ao passado? É que dizer que é preciso actualizar e depois apresentar propostas de exploração laboral que se aplicava no século passado no tempo dos nossos pais e avós não faz muito sentido e até é contraditório. É preciso flexibilidade? É preciso polivalência? É preciso repensar suplementos? É preciso mudar? Sentem-se â mesa e apresentem propostas que não ponham em causa os Direitos dos Trabalhadores e os Direitos Humanos e aí vão chegar a algum lado. Se quiserem continuar com a ideia de impor a submissão total dos trabalhadores, vão ter resistência. - Meter em tribunal o próprio Governo por este “defender” os trabalhadores de uma tentativa de destruição de direitos laborais e humanos (numa só palavra: escravidão)? O acto fala por si. É este o tipo de gente com quem lidamos. - Estão constantemente a dizer que os actuais direitos dos trabalhadores não fazem sentido. Na verdade, nunca fizeram sentido para estas pessoas desde o primeiro dia em que foram aplicados, independentemente dos tempos. A única coisa que sempre lhes fez sentido foi pôr os trabalhadores a trabalhar mais e pagar o menor valor possível. Para finalizar: 3 anos sem um único aumento salarial e ainda querem eliminar direitos (quase que por obsessão) quando os lucros na hotelaria da Madeira batem recordes astronómicos? E quando finalmente o Governo intervém e “dá” um aumento salarial de 2.5% ( o que não deve de ir além da média de 10 euros por trabalhador antes de impostos ), levam para tribunal? Peço que da próxima vez que abordarem este assunto seja na televisão seja noutro canal de comunicação, lembrem-se de ter alguém presente que fale pelos trabalhadores. Se só fazem questão de convidar Administradores, Directores e Empresários para falar de um assunto que muito diz respeito aos trabalhadores é que na verdade não têm interesse que se fale dos dois lados da moeda, mas sim apenas do lado que mais lhes convém. Também acho importante e é do interesse de público que especifiquem as intenções do Patronato quanto às suas propostas para melhor entender o que se passa. É porque quando falam por alto das suas pretensões ainda se pensa que estão a falar de uma inovação no mercado de trabalho (...).