Basta de líderes providenciais e de discursos mitológicos, quando imperam os pés-de-barro e os rabos-de-palha Nos próximos dias 19 e 20 do corrente mês, o CDS/PP-Madeira irá eleger o seu novo líder. Após quase duas décadas à frente do partido, José Manuel Rodrigues (JMR) viu-se forçado a apresentar a demissão, na sequência dum descalabro eleitoral que lhe não deixou outra alternativa. No momento em que escrevo este artigo, há pelo menos três candidatos mais ou menos anunciados à “sucessão”. Para o leitor minimamente esclarecido e interessado, a escolha natural seria apenas uma, por razões que me escuso de enunciar, de tão óbvias. Mas nem tudo o que parece é. Neste caso, nada é o que parece ser. A “campanha” tem-se pautado por apelos à unidade e à pacificação interna, discurso aliás totalmente alinhado com a praxis de JMR. Porém, se para o exterior do partido é esta a mensagem que tem sido vertida através da imprensa, internamente assiste-se a uma guerra aberta e sem quartel. As trocas de insultos e os ataques pessoais sucedem-se, quer nas redes sociais quer nos comentários “online” (miseravelmente anónimos). À boca pequena, contam-se situações que, a serem verdadeiras, ultrapassam todos os limites da decência e da ética, casos de manipulação grosseira, de tentativas de assassinato de carácter, duma luta desesperada pela manutenção de regalias e “status quo”. Que alguns militantes e dirigentes com história e responsabilidade pactuem com este sórdido estado de coisas é, no mínimo, desapontante. Verificar que quem dantes vilipendiava os que se atreviam a debater o partido na praça pública, agora o faz sem pejo nem rebuço, é, pelo menos, revelador de dois pesos e várias medidas. Inicialmente, tinha decidido não me imiscuir neste processo, e eventualmente nem comparecer no próximo Congresso. Contudo, perante os vários cenários que se desenham, tornou-se para mim um imperativo de consciência pronunciar-me. Os cenários que refiro incluem eventuais desistências, golpes de bastidores e jogo duplo, que, conjugados, irão, no imediato ou no médio prazo, depositar o CDS no colo duma “eminência parda”. Tranquilamente e pela calada, “sua eminência” tem o xadrez político gizado desde a primeira movimentação do peão (a sacrificar, claro!) até ao derradeiro e implacável xeque-mate. Caso esta estratégia saia vencedora, quase nada mudará, a não ser a nível superficial e cosmético. Poderá resultar durante algum tempo, mas não há perfume que disfarce o odor nauseabundo que se entranhou no CDS/PP-Madeira. Insisto que o mais cómodo para mim seria assobiar para o lado e deixar andar, mas não têm sido poucas as vozes amigas a recordar-me da moção que apresentei no XIV Congresso, em Dezembro de 2014. “O Eixo da Roda e o Fio-de-Prumo” foi aprovada por unanimidade, logo devo esperar que seja implementada pelo próximo Presidente da Comissão Política. Os princípios e valores nela enunciados são universais e intemporais, e, por isso, não quero vê-los esquecidos; a transparência que preconizei pode ser pedra de toque em muitos discursos de ocasião, mas quero vê-la como uma realidade imediata. Assim sendo, e atendendo a que há players que só em pleno Congresso irão decidir se vão a jogo, também eu só irei manifestar o meu sentido de voto nessa altura. Na certeza porém de que o melhor candidato, intocável e inatacável, que reúne a coragem e a humildade necessárias para proceder ao virar de página de que o partido necessita, não é nenhum dos que se perfilam, apesar de ser o único que efectivamente conquistou a pulso uma vitória eleitoral. Se avançar terá o meu voto, e certamente muitos mais. Não havendo essa alternativa, votarei no candidato (se o houver) que anuncie como primeiras medidas, em caso de vitória, uma rigorosa auditoria às contas do partido e um ponto final nos desmandos de quem se serve do CDS em benefício próprio. Basta de líderes providenciais e de discursos mitológicos, quando imperam os pés-de-barro e os rabos-de-palha; basta de apelos hipócritas à paz e unidade, quando se promove o “terrorismo” e se pretende manter o partido refém de podres poderes. Aconteça o que acontecer, os militantes irão decidir e o futuro os julgará, mas eu certamente não estarei no banco dos réus, pois não serei culpado de conivência, negligência ou omissão. Raul Ribeiro
Basta de líderes providenciais e de discursos mitológicos, quando imperam os pés-de-barro e os rabos-de-palha
Nos próximos dias 19 e 20 do corrente mês, o CDS/PP-Madeira irá eleger o seu novo líder.
Após quase duas décadas à frente do partido, José Manuel Rodrigues (JMR) viu-se forçado a apresentar a demissão, na sequência dum descalabro eleitoral que lhe não deixou outra alternativa.
No momento em que escrevo este artigo, há pelo menos três candidatos mais ou menos anunciados à “sucessão”.
Para o leitor minimamente esclarecido e interessado, a escolha natural seria apenas uma, por razões que me escuso de enunciar, de tão óbvias.
Mas nem tudo o que parece é. Neste caso, nada é o que parece ser.
A “campanha” tem-se pautado por apelos à unidade e à pacificação interna, discurso aliás totalmente alinhado com a praxis de JMR. Porém, se para o exterior do partido é esta a mensagem que tem sido vertida através da imprensa, internamente assiste-se a uma guerra aberta e sem quartel. As trocas de insultos e os ataques pessoais sucedem-se, quer nas redes sociais quer nos comentários “online” (miseravelmente anónimos).
À boca pequena, contam-se situações que, a serem verdadeiras, ultrapassam todos os limites da decência e da ética, casos de manipulação grosseira, de tentativas de assassinato de carácter, duma luta desesperada pela manutenção de regalias e “status quo”.
Que alguns militantes e dirigentes com história e responsabilidade pactuem com este sórdido estado de coisas é, no mínimo, desapontante. Verificar que quem dantes vilipendiava os que se atreviam a debater o partido na praça pública, agora o faz sem pejo nem rebuço, é, pelo menos, revelador de dois pesos e várias medidas.
Inicialmente, tinha decidido não me imiscuir neste processo, e eventualmente nem comparecer no próximo Congresso. Contudo, perante os vários cenários que se desenham, tornou-se para mim um imperativo de consciência pronunciar-me. Os cenários que refiro incluem eventuais desistências, golpes de bastidores e jogo duplo, que, conjugados, irão, no imediato ou no médio prazo, depositar o CDS no colo duma “eminência parda”. Tranquilamente e pela calada, “sua eminência” tem o xadrez político gizado desde a primeira movimentação do peão (a sacrificar, claro!) até ao derradeiro e implacável xeque-mate. Caso esta estratégia saia vencedora, quase nada mudará, a não ser a nível superficial e cosmético. Poderá resultar durante algum tempo, mas não há perfume que disfarce o odor nauseabundo que se entranhou no CDS/PP-Madeira.
Insisto que o mais cómodo para mim seria assobiar para o lado e deixar andar, mas não têm sido poucas as vozes amigas a recordar-me da moção que apresentei no XIV Congresso, em Dezembro de 2014. “O Eixo da Roda e o Fio-de-Prumo” foi aprovada por unanimidade, logo devo esperar que seja implementada pelo próximo Presidente da Comissão Política. Os princípios e valores nela enunciados são universais e intemporais, e, por isso, não quero vê-los esquecidos; a transparência que preconizei pode ser pedra de toque em muitos discursos de ocasião, mas quero vê-la como uma realidade imediata.
Assim sendo, e atendendo a que há players que só em pleno Congresso irão decidir se vão a jogo, também eu só irei manifestar o meu sentido de voto nessa altura.
Na certeza porém de que o melhor candidato, intocável e inatacável, que reúne a coragem e a humildade necessárias para proceder ao virar de página de que o partido necessita, não é nenhum dos que se perfilam, apesar de ser o único que efectivamente conquistou a pulso uma vitória eleitoral.
Se avançar terá o meu voto, e certamente muitos mais.
Não havendo essa alternativa, votarei no candidato (se o houver) que anuncie como primeiras medidas, em caso de vitória, uma rigorosa auditoria às contas do partido e um ponto final nos desmandos de quem se serve do CDS em benefício próprio.
Basta de líderes providenciais e de discursos mitológicos, quando imperam os pés-de-barro e os rabos-de-palha; basta de apelos hipócritas à paz e unidade, quando se promove o “terrorismo” e se pretende manter o partido refém de podres poderes.
Aconteça o que acontecer, os militantes irão decidir e o futuro os julgará, mas eu certamente não estarei no banco dos réus, pois não serei culpado de conivência, negligência ou omissão.
Raul Ribeiro