Antes de começarem a “jogar pedra” ao título deste meu artigo tenham a paciência de o ler até ao fim e depois, então, tirem as vossas ilações relativamente ao mesmo. Em economia, austeridade significa rigor teórico no controle de gastos. É requerida quando o nível do deficit público é considerado insustentável e é implementada sobretudo através do corte da despesa.
Todos nós devíamos exigir ao Estado rigor na gestão da coisa pública. Alguém não concorda? Rigor e critério na gestão que se traduza não só em cortes na despesa considerados supérfluos mas, sobretudo na reestruturação e reformulação de alguns serviços/áreas claramente deficitárias ano após ano.
Como é que é possível gastar os milhões que se gastam todos os anos na saúde e continuarmos a ter um sistema de saúde que na maioria das vezes não funciona quando precisamos; Como é que é possível gastarmos milhões na educação e continuarmos a ter uma posição medíocre em todos os rankings…
Não ser austero, e principalmente rigoroso, significa não nos preocuparmos em encontrar respostas para as perguntas que, por exemplo, formulei anteriormente.
Significa resolver os problemas apenas com injecção de mais dinheiro. Significa um desrespeito pelos contribuintes, pessoas e empresas, que pagam os seus impostos e, significa por fim, que iremos sempre pagar a factura do desgoverno. Mas até quando?
Um País que ao longo dos últimos 20 anos, com boas e más conjunturas, aproveitando os anos de “ouro” dos fundos comunitários, não conseguiu crescer mais de 2,5% ao ano é um País que não precisa de mais injecção de dinheiro… precisa sim de ser reinventar, de reformular a sua estratégia, de se reestruturar e de se refundar… Austeridade ao nível da gestão, rigor e critério e reformulação e reestruturação de áreas/sectores altamente deficitários é tudo o que peço. É pedir muito? Já agora, e ao nível da economia, que se concentre na dinamização da actividade económica, na sua regulação e fiscalização sem outro tipo de interferências. Já ajuda e os empresários agradecem.
Nuno Agostinho, Presidente da AJEM