Conceição Pereira Acabou de ser anulada a legislação que introduziu exames no 4º ano de escolaridade, após dezenas de anos sem ser necessário que as crianças de 9 e 10 anos fossem sujeitas a essas provas.
Automaticamente se levantam vozes a reclamar contra esta medida.
Algumas pessoas: professores, encarregados de educação, inclusivamente, bradam aos céus porque agora vai ser uma balda e que os alunos agora não vão ser avaliados. Acabei de ouvir, na TV, um professor no Curral das Freiras a declarar que não sabe qual o instrumento de avaliação que vai aplicar para substituir o dito exame para aferir quem passa ou não do 4º para o 5º ano. Isto é impressionante! Então o Senhor Professor não sabe se está a cumprir os programas e quais os alunos que assimilaram, razoavelmente, os conhecimentos necessários para entrarem na fase seguinte, o 5º ano?
Qualquer dia também vão dizer que são precisos exames para passar da 1ª para a 2ª classe e assim sucessivamente.
Será que os professores, encarregados de educação e os cidadãos agora adultos, que não passaram pelo crivo do exame do 4º ano já se esqueceram de como era a passagem do 4º para o 5º ano? Eu sei que há gente com memória curta, mas tenho o direito de desconfiar que há muita vontade de denegrir tudo o que vem do outro lado do seu horizonte.
Reflectindo um pouco sobre este sistema de ensino sem exames até o secundário, será que foi assim tão mau? Vejamos a aceitação que os nossos jovens têm tido nos países de emigração, onde são considerados bons profissionais e muito bem preparados. Afinal, o nosso sistema de ensino preparou bons profissionais, o que é sinal que alcançou os objectivos necessários, sem exames no ensino básico.
Será que está tudo bem no nosso sistema de ensino? Eu acho que não.Já havia muitas falhas e nos últimos anos ficou bastante degradado, fruto de desinvestimento na escola pública e na desacreditação dos professores perante a sociedade. Até se sujeitou uma parte dos professores a uma prova armadilhada para expulsar professores do sistema. No fim ainda alguém veio a público dizer que os professores nem sabiam escrever, pois até fizeram erros ortográficos. Eu gostaria de submeter essas pessoas bem falantes a um exame de ortografia, sem um computador a corrigi-los, e veria quantos erros ortográficos alguns fariam.
Já se passaram alguns anos que me reformei profissionalmente, mas mesmo assim vou ousar intervir, apresentando algumas medidas para melhorar o ensino/aprendizagem. São opiniões minhas e não tenho vergonha de expô-las.
O Ministério da Educação deve proceder à devida articulação dos programas, do 1º ao 9º ano de escolaridade. Deve haver encontros entre os professores do 1º ciclo e 2º ciclo para discutirem e se consciencializarem dos problemas de cada ciclo e das competências necessárias que os alunos devem dominar para transitarem para o 5º ano. E o mesmo deve acontecer entre os professores do 2º ciclo e os do 3º ciclo. Estes encontros deveriam se dirigidos por orientadores pedagógicos e seriam contabilizados para as acções de formação obrigatórias que os professores devem realizar. Mais: deve ser o Ministério da Educação e as Secretarias Regionais de Educação nas Regiões Autónomas a promover estas acções de formação. Também se deveria promover encontros de formação para encarregados de educação, acessíveis e instrutivos, para ajudá-los a lidar com os seus educandos.
Há muitas outras ideias que poderia apresentar, mas apenas tomei a liberdade de avançar com estas, no sentido de intervir e contribuir para a melhoria do nosso ensino, sem exames no 1º e 2º ciclos, porque, não sendo necessários, são perniciosos e dispendiosos.