Escrevi isto antes do derby. Por isso, o artigo sairá da mesma forma qualquer que seja o resultado.

Apesar de eu ter pouco que ver com o futebol profissional, devo confessar que todos os anos, no início de cada época futebolística, tenho o mesmo desabafo com os meus colegas: “temos jogadores a mais!”. Para mim, um plantel de futebol nunca deve ter mais do que 23 atletas.

Devido a isso, adoro as saídas de atletas e receio as entradas. Exactamente o contrário do que almejam os “empresários de futebol” que andam constantemente a impingir jogadores.

Bem sei que se todos pensassem como eu, as mais variadas vertentes económicas apresentariam graves problemas. Por exemplo, acho um desperdício de dinheiro a compra de roupas porque gostava de trabalhar com ou usar um uniforme – de preferência alvi-negro! (para que ninguém dissesse que não sei combinar roupas, que isto está velho ou aquilo já não se usa). Também julgo que é deitar dinheiro fora a troca de carros porque o meu de 1981 é o melhor carro do mundo (e por acaso até é porque é um modelo W123! “Reza a lenda” que os carros eram tão bons que a marca teve de começar a descer a qualidade até fazer carros de plástico como todos os outros de hoje em dia). Acho uma perfeita loucura a compra de relógios (ouvi dizer uma vez que é a única jóia que um homem deve ter e entendo que não deve ter qualquer uma) porque uso um mais velho do que eu, que funciona a corda e ainda não avariou. Não faço questão de viajar porque tenho medo de andar de avião e continuo a achar que uma mesa com amigos e cerveja é tão gratificante aqui como na China. Não vejo qualquer valor em quinquilharias de ouro, prata, cristal e essas coisas sem utilidade. Idem para telemóveis, LCD, DVD e outros aparelhinhos electrónicos pelos quais perdi o fascínio por volta de 1989 na altura dos videos VHS. Entendo ainda que o crédito à habitação devia ser fortemente restringido porque o arrendamento é que deve ser estimulado, etc. Enfim, uma série de situações pelas quais os meus familiares e amigos dizem que sou um “manga-de-alpaca” ou um forreta, apesar de este último termo ser precisamente o oposto daquilo que defendo: o desapego a estes bens materiais que para nada servem.

Mas, vem isto tudo a propósito do Futebol: o truque “disto” na minha opinião, é trabalhar com o que temos e com serenidade. Por vezes não damos tempo aos nossos atletas e contratamos mais um e mais outro, “tapando” os nossos. Não consigo deixar de referir um clube brasileiro quase falido que começou a jogar com as ditas reservas porque não tinha dinheiro para contratações e foi campeão. Por isso, muitas vezes a solução já lá está! Nesse aspecto, o nosso treinador sabe muito do que faz. O Nacional tem o plantel mais jovem da Liga! Esta premissa aliada à estabilidade do Clube é uma mais valia enorme para o futuro.

Pedro Mota